The Mastermind

Possui uma ideia não totalmente original, porém apresenta uma boa dose de audácia e risco para ser executada. O filme tenta traduzir isso na tela.

FICHA TÉCNICA

Título original: “The Mastermind”
País de origem e ano: Estados Unidos, 2025
Duração: 1 hora 50 minutos
[Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 14 anos] Gênero: Policial
Direção: Kelly Reichardt

Roteiro: Kelly Reichardt
Elenco: Josh O’Connor, Sterling Thompson, Alana Haim e outros.
Fotografia: Christopher Blauvelt
Edição: Kelly Reichardt
Música: Rob Mazurek

Crédito da imagem: MUBI e Imagem Filmes

Aqueles que já trabalharam em locais sujeitos à cobiça de ladrôes, como bancos ou museus, sabem que assaltar ou roubar tais lugares é complexo. Mas sabe-se, sem dúvida, que o mais difícil de tudo isso é a saída e fuga. Essa é, em boa medida, a matéria principal de The Mastermind.


James Blaine Mooney (Josh O’Connor) é um indivíduo que tem esposa e filhos, pertence a uma classe média bastante acomodada e mora em um bairro de certa elegância em Framingham, pequena localidade dos Estados Unidos. É um profissional da construção, mas não vinga totalmente na vida. A pressão familiar resulta em um peso significativo para ele. Assim, pensa sair dessa situação, escalando de modo rápido.

Para atingir esse objetivo, vai observar cuidadosamente os quadros que estão em exposição no museu da sua cidade. Uma boa tomada inicial faz com que o espectador deste filme posa perceber tal característica, embora o olhar do ator esteja direcionado à câmera, parece que o está no interior de um desses quadros. E, também, aos poucos se poderá entender que o interesse não é precisamente artístico, mas de outra índole.

Depois de solicitar ajuda económica à sua mãe (Sarah, representada por Hope Davis) e com a promesa de devolver rapidamente esse dinheiro, e após visitar várias vezes o museu para estudá-lo, o protagonista passa a executar seu plano: o roubo dos quadros (especificamente os de Arthur Dove, famoso pintor abstrato) e, por tanto, muito valiosos, artística e economicamente.

Para executar o plano, contrata comparsas e começa a ação. Mas não tudo sai como planejado. Vários inconvenientes surgem e ele vai, dificultosamente, superando-os. Contudo, ao longo de toda a trama se sucedem situações que JB (como se lhe conhece) deverá deixar para trás.

Como dito no início desta crítica, se resultar complicado substrair os quadros, muito mais será fugir e escondê-los.

O relato pode atrair, sem dúvida. Porém, há uma série de características negativas cinematográficamente: em muitas oportunidades, para prencher vazios nas cenas, Kelly Reichardt, diretora, roteirista e editora, utiliza música forte e de jazz (com autoria de Rob Mazurek). O próprio na passagem de uma sequência a outra. Resulta reiterado e algo cansativo.

Por outra parte, há uma reconstrução de época (dos anos setenta, nos Estados Unidos, inclusive com assuntos internacionais como protestas contra a guerra no Vietname). E para tal perspectiva é adequada uma banda sonora com jazz, música elegante que, neste caso, se combina com um local refinado, cultural, como é um museo.

Outra opção ambígua é a não explicação do que vai acontecendo. Só depois de um tempo em que se sucedem diversos fatos, podem-se entender causas e consequências. Isso tem um valor especial e positivo no final do filme. Talvez seja o melhor, pelo inusitado, surpreendente e que, além disso, dá margem para deduzir o que virá.

Este filme faz lembrar a “Tomas Crown” (tem duas versões, de 1968 e 1999), onde um milionário rouba quadros e é perseguido por uma detetive de seguros.

The Mastermind, algo assim como “o gênio”, o grande articulador, nesta ocasião esconde uma ironia em seu título. O protagonista é uma espécie de herói que estuda o que vai fazer, o executa, mas… não é tão perfeito. Aliás, as circunstâncias não lhe são favoráveis.

O espectador poderá desfrutar, em especial se não percebe ou deliberadamente ignora aspectos negativos. Em resumo: nem extraordinário nem ruim.

Por: Tomás Allen

(Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela MUBI e a Imagem Filmes)

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