Marty Supreme

Filme extremamente dinámico, com um protagonista (Timothée Chalamet) em um papel representado de forma excepcional.

FICHA TÉCNICA

Título original: “Marty Supreme”
País de origem e ano: Estados Unidos, 2025
Duração: 2 horas 29 minutos
[Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 16 anos] Gênero: Drama
Direção: Josh Safdie

Roteiro: Josh Safdie e Ronald Bronstein
Elenco: Timothée Chalamet (como Marty Mauser), Gwyneth Paltrow (Kay Stone), Odessa A’zion (Rachel Mizler), Koto Kawaguchi (Koto Endo), Kevin O’Leary (Milton Rockwell) e outros.
Fotografia: Darius Khondji
Edição: Ronald Bronstein e Josh Safdie Música: Daniel Lopatin

Crédito da Imagem: Diamond Films

Baseada na vida de Marty Reisman, jogador nova-iorquino profissional de tênis de mesa nas décadas dos anos 50 e 60, esta é a história de uma pessoa que trabalhava muito bem como vendedor em uma loja de sapatos femininos. Embora tenha uma proposta que poderia ser tentadora se fosse vista como carreira dentro de um comércio, Marty Mauser (nome adoptado para o filme), ele a declina. E dá um pulo para um novo rumo, sem garantias nem certezas de trunfo: ser jogador de tênis de mesa.

Marty Supreme descreve o percurso ascendente desse rapaz e as reviravoltas que se lhe apresentam, com decisões nada simples, determinação e forte personalidade. Além do jogo, Marty Mauser se vincula com empresários especuladores, como Milton Rockwell (Kevin O’Leary), duas mulheres: a madura Kay Stone (Gwyneth Paltrow) e a jovem Rachel Mizler (Odessa A’zion) e outros personagens.

Esses vínculos são significativos, porém não o mais importante na vida de Marty. O que se destaca é a figura do homem que “se desenvolve sozinho”. O ‘self-made man’, aquele “homem feito por si mesmo” e que alcança sucesso através de seu próprio esforço, sem depender de ajuda externa – segundo definições certas e que aparecem na Internet -. Este é um ideal muito estendido na cultura estadunidense e que o filme apresenta quando se presta atenção.

Embora a realização seja muito dinámica, há algumas passagens em que parece ter perdido o que cinematográficamente se chama o “Superobjetivo”. Mas isso é parcial porque o personagem protagonista não perde totalmente sua ‘linha de vida’ fundamental. Porém, o relato, sim; se afasta do rumo condutor. Pode ser um aspecto débil da edição (responsabilidade do próprio diretor, Josh Safdie, e do co-roteirista, Ronald Bronstein) ou certo cansanço no espectador, por causa da longa duração (149 minutos).

A atuação de Timothée Chalamet, como já dissemos, é extraordinária. Sua figura, aparentemente intrascendente, irrelevante, se transforma ao longo do filme e se faz merecedor dos adjetivos qualificativos positivos, até chegar a uma cena final inesquecível. Como estamos na temporada das premiações, pode-se dizer que, com certeza, Chalamet vai ganhar prêmios internacionais e é candidato ao Oscar, a disputar muito provavelmente com Leonardo DiCaprio, de “Uma Batalha Após A Outra”.

Além do anterior, a carreira de Chalamet como ator, ao longo de 24 longas-metragens, o evidencia com grande versatilidade, pois em títulos como “Interestelar” (2014), “Call Me by Your Name” (2017), “Wonka” (2023), “A Complete Unknown” (2024) e outros representou diversas personalidades.

A veterana e muito competente Gwyneth Paltrow, como uma mulher que sabe o que quer na vida; a jovem A’zion, também cumprindo um bom trabalho; Koto Kawaguchi, como o deliberadamente japonês inexpresivo, porém eficiente; Kevin O’Leary como um executivo cínico e perverso, completam as principais figuras de um elenco de elevado nível.

Dos aspectos técnico-artísticos sobressaem a fotografia de Darius Khondji e todos os departamentos de efeitos, em especial para os jogos de pingue-pongue representados. O mesmo com o som e a música (Daniel Lopatin, a original; e músicas famosas).

O tom geral de Marty Supreme vai do decididamente dramático ao cómico leve, até certa ridiculizaçâo. Há sequências que podem ser definidas como quase caóticas e outras assimiladas a balê prosaico. Também não falta algo de violência. O ritmo frenético antes apontado, se ve reforçado pelo próprio jogo, onde uma pequena bolinha é arremessada a muita velocidade e longas distâncias.

Por isso Marty Supreme, resulta ser uma colagem de diversos elementos, com boa textura geral, onde sobresaem o ritmo e as atuações, com destaque especial ao protagonista, Timothée Chalamet.

Por: Tomás Allen

(Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Diamond Films)

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