Zafari

Filme forte, cru, sobre situações sociais e pessoais que dão dó: miséria, fome, os piores aspectos do ser humano. Procura criticar o desgoverno venezuelano.

FICHA TÉCNICA

Título original: “Zafari”
Países de origem e ano: Venezuela e outros, 2024
Duração: 1 hora 40 minutos
[Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 12 anos] Gênero: Drama
Direção: Mariana Rondón

Roteiro: Mariana Rondón e Marité Ugás
Elenco: Daniela Ramírez (como Ana), Francisco Denis (Edgar), Samantha Castillo (Natalia), Varek La Rosa (Bruno), Juan Carlos Colombo (Francisco) e outros.
Fotografia: Alfredo Altamirano
Edição: Isabela Monteiro de Castro
Música: Pauchi Sasaki

Crédito da imagem: @sinny.comunicacao e @vitrine_filmes;

O conceituado antropólogo Yuval N. Harari, em sua obra Sapiens – Uma breve história da humanidade define esta espécie como a mais danhina, destruidora, mentirosa e perversa de todas.

Quem o tiver lido poderá associá-lo com a trama do filme Zafari.

No enredo, há um casal constituído por Ana (Daniela Ramírez) e Edgar (Francisco Denis) que tem um filho adolescente, Bruno (Varek La Rosa). Pertencentes a uma classe social bastante abastada, encontram-se no momento empobrecidos e moram nos arredores de Caracas, Venezuela (embora não se identifique o lugar, é fácil deduzí-lo). O fazem em um prédio também em franco declínio: sujo, com barulhos estranhos, alagamentos etc. Porém, vizinhos ou invasores ocupam setores próximos e importantes, pois tem uma vida bem melhor.

O casal tenta sobreviver, procurando comida básica de maneira pouco clara e que beira o delictivo. Pior: há falta água potável; às vezes há cortes de luz prolongados o que, por caso, impede fazer a higiene elementar.

Nesse contexto inmediato se produz a chegada de Zafari, hipopótamo proveniente da África que foi trazido para Amêrica com a justificativa de fortalecer os zoológicos. A instituição oficial diz que designou uma família para cuidá-lo, mas isso não se cumpre.

Tudo o panorama apresentado vai derivando en reiterados problemas, onde os vínculos pessoais se veem afetados seriamente. Essa absoluta carência se vincula à situação em que se encontra o país, no qual as ruas são controladas por sinistros bandos que as percorrem com motos e que produzem uma sensação de insegurança total. O governo é complacente.

Muitos têm como único objetivo sair do país o que, aos poucos, vai ganhando margem em Ana e Edgar.

Ao mostrar tudo isso o filme se torna amargo. Principalmente a partir da metade, pois essa condição pode abrumar o espectador e fazer que suspeite que venha algo muito ruim.

A impotència e o desespero atingem os personagens que se defrontam cada vez mais com necessidades extremas insatisfeitas. Zafari acentua a descrição com dialógos e, sobretudo, com imagens cruéis. Pergunta-se aqui se era necessário tanto detalhamento.

Porque acusar desgoverno, mostrar a maldade humana (aqui cabe a lembrança do livro mencionado no início destas linhas) é pertinente e até pode ser considerado louvável, mas outra coisa é ultrapassar limites do explícito.

A diretora e co-roteirista Mariana Rondón mistura ou confunde denúncia do governo e injustiças e má conduta pessoal e social com mostrar imagens e situações que podem desgostar espectadores.

Resumindo: Zafari pode incomodar, não por denunciar ou evidenciar a injustiça (péssimo governo do país, ausência de direitos humanos etc.) mas por mostrar sem cerimônia a bestialização que pode transformar as pessoas, e, com isso, perturbar pelas situções extremas mostradas e o modo visual como as apresenta.

Por: Tomás Allen

(Título assistido em Cabine de Imprensa virtual promovida por @sinny.comunicacao e Vitrine_filmes)

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