A cinematografia japonesa sempre resulta distante e, ao mesmo tempo, oferece obras que podem ser entendidas e assimiladas perfeitamente no ocidente. Aqui, um bom exemplo.

FICHA TÉCNICA

Título original: “Kokuhô”
País de origem e ano: Japáo, 2025
Duração: 2 horas 54 minutos
[Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 14 anos] Gênero: Drama
Direção: Sang-il Lee

Roteiro: Satoko Okudera e Shûichi Yoshida
Elenco: Ryô Yosizawa (como Kikuo Tachibana), Ryûsei Yokohama (Shunsuke Ogaki), Mitsuki Takahata (Harue Fukuda), Shinobu Terajima (Sachiko Ogaki), Nana Mori (Akiko) e outros.
Fotografia: Sofian El Fani
Música: Marihiko Hara Departamento de maquiagem: Naomi Hibino, Tadashi Nishimatsu e Kyokô Toyokawa

Crédito da Imagem: Sato Company / Imovision

O teatro Kabuki é típico no Japão e tem como característica principal que a protagonista das obras seja representada por um ator homem.

Nesta ocasião vemos a história de Kikuo (Ryô Yoshizawa), desde seus primeiros anos até a década de 1990 e, de outro modo, até o ano 2014.

Nos primeiros anos de vida acontece que Kikuo é filho de um integrante da Yakuza (a máfia japonesa) e deve ser criado por um casal, no qual o homem é um famoso ator Kabuki – o chamado onnagata -. Este encaminhará Kikuo para ser treinado duramente e depois atuar nesse tipo de teatro.

Ao longo das décadas e transitando diversos locais e cidades (Nagasaki, Osaka, Tókio), se sucedem as mais variadas situações – como não poderia ser menos, em um filme que tem quase três horas de duração. Há um vínculo com uma “gueixa” (mulher treinada para entreter homens), um apaixonamento, amizade com um colega, decisões que podem surpreender e até indignar ao espectador, traições/usurpações, relações sexuais com uma menor, brigas e ataques físicos e, até, um pacto com o Diabo. A aparição e avanço de uma doença grave, os intentos quase impossíveis de retorno ao teatro Kabuki etc.

Há, também, observações sobre os atores desse tipo de teatro, seus sentimentos e relações com a arte. Tudo isso demonstra um personagem protagonista que, longe de ser perfeito, comete erros e resulta negativo em várias ocasiões.

Com relação ao ritmo, pode-se dizer que a hora inicial é devagar, depois resulta mais rápido e chega a uma sequência final muito bem realizada. É candidata ao Oscar por Melhor Maquiagem e Penteado (Kioko Tokoyama, Tadashi Nishimatsu e Naomi Hibino).


Edição (Tsuyoshi Imai), com referência especial a uma montagem paralela que faz em uma cena; Música (Marihiko Hara) e figurino (Kumiko Ogawa) também entram nesta seleta lista.

Parágrafo aparte para a fotografia de Sofian El Fani, com composições simétricas praticamente em todo, mas sobretudo nos personagens, em especial quando estão no cenário teatral. E em como os mostra: distribuição dos elementos, com linhas equilibradas, tanto reais, vistas, quanto imaginadas.

Em resumo: com direção de Sang-il Lee, em seu 11º longa-metragem, Kokuho – O Preço da Perfeição está direcionado a público especial, com altos e baixos na intensidade da trama, tendo lacunas e lentidão mas, também, várias sequências bem obtidas e que se sucedem positivamente, chegando, em especial, a um final que atinge essa altura.

Por: Tomás Allen

(Título assistido em Cabine de Imprensa virtual promovida pela Sato Company e a Imovision)

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