O historicamente famoso julgamento acontecido após a Segunda Guerra Mundial contra altos mandos nazistas, na cidade alemã que dá origem ao título deste filme, é o núcleo dele. Mas há um monte de elementos a serem considerados.

FICHA TÉCNICA
Título original: “Nuremberg”
País de origem e ano: Estados Unidos, 2025
Duração: 2 horas 28 minutos
[Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 16 anos] Gênero: Drama
Direção: James Vanderbilt
Roteiro: James Vanderbilt e Jack El-Hai
Elenco: Rami Malek (como Douglas Kelley), Russell Crowe (Hermann Göring), Michael Channon (Robert H. Jackson), Colin Hanks (Dr. Gustave Gilbert), Lydia Peckham (Lila McQuaide), Leo Woodall (Sarg. Howie Triest) e outros.
Fotografia: Dariusz Wolski
Edição: Tom Eagles
Música: Brian Tyler
Crédito da imagem: Diamond Films
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, o mundo confronta a dimensão inédita dos crimes cometidos pelo regime nazista. Em resposta, as nações aliadas estabelecem um tribunal internacional na cidade de Nuremberg, na Alemanha.
Pela primeira vez, líderes de um Estado são chamados a responder não apenas por atos de guerra, mas por crimes contra a humanidade. O que está em julgamento não é apenas a responsabilidade individual, mas os limites da lei diante da barbárie.
A trama também explica que está baseada nos relatos daqueles que sobreviveram e dos que não, de uma guerra que ocasionou 70 milhões de mortos, dos quais 6 milhões eram judeus. E se instala no 7 de maio de 1945, último dia do confronto na Europa. Hitler está morto e o Alto Comando Nazista desmoronado.
Estas são as palavras iniciais de Nuremberg e se podem aplicar tanto ao acontecido no devir histórico quanto ao filme. Este reflete, com bastante exatidão esse julgamento dos hierarcas nazistas, ao menos em suas características fundamentais.
As imagens em movimento iniciam-se com a detenção por parte de militares estadunidenses, em Áustria, de Hermann Göring (Russell Crowe), principal militar na sucessão de Hitler.
Com essa prisão efetiva, autoridades judiciais estadunidenses discutem a possibilidade de julgar Göring e outros 21 detidos. Porém, a situação resulta complexa, pois nunca tinha acontecido um cidadão de um país ter sido julgado em outra nação.
Tudo tem idas e voltas, mas, finalmente, representantes de Inglaterra, Estados Unidos, França e Rússia, se põem de acordo e o local escolhido é na cidade de Nuremberg, na Alemanha. Será com um júri internacional e com a possibilidade de acusação e defesa, para uma decisão imparcial, o que pode beneficiar ou afundar a postura dos aliados (assim denominados os países antes mencionados) sobre a própria guerra, e se foram justos ou carentes de força e correção ética.
Desde esses primeiros passos se destacam a figura do Juiz Robert H. Jackson (Michael Shannon) e do psiquiatra Douglas Kelley (Rami Malek). Este último tem a difícil tarefa de avaliar o perfil psicológico dos acusados, em especial de Göring.
Outras figuras que vão aparecer serão Rudolf Hess, do alto escalão nazista (Andreas Pietschmann), o Papa Pio XII (Giuseppe Cederna), a jornalista Lila McQuaide (Lydia Peckham), o Sarg. Howie Triest (Leo Woodhall) e vários outros, constituindo um elenco sólido. Porém, sobresai Russell Crowe (em seu 55º longa-metragem), com uma representação excepcional, transmitindo matizes intelectuais, psicológicos e anímicos.
As reviravoltas da trama trazem grande complexidade e densidade. Além disso, Nuremberg é filme intenso em situações, com momentos e imagens que podem ser definidas como de forte impacto no espectador.
Os personagens resultam ser de ética ambígua, pouco confiável. O fato de julgar criminosos, demonstrar o que eles são, não eximem essas nações de seus próprios crimes de guerra, em diversas circunstâncias.
Há muitos elementos de ética em jogo. Por exemplo: um profissional deve sempre respeitar o princípio de manter o secreto do conhecido pelo vínculo com o paciente ? Será que existem excepcões, como defender sua pátria e, para isso, revelar tais dados ? – Ou a afirmação, dita duas vezes: O homem faz maldades por ânsia de poder.
Há outro dilema, importante na trama: os hierarcas nazistas eram iguais a qualquer outra pessoa? Se produz uma bifurcação: seriam radicalmente diferentes, fora de certa normalidade humana. A segunda possibilidade é: seriam iguais. Porém, em Nuremberg, a expectativa de achar loucura não tem consistência. Göring, como personagem máximo, é lúcido, extremamente egocêntrico, argumentador, com lógica própria. Não indivíduo exótico, equivalente a qualquer um.
Muito boa fotografia de Darinsz Wolski, com câmera que sabe aproximar-se ou dar panorama dos personagens e fatos. Destaca-se, se igual forma, a edição de Tom Eagle, que alterna momentos atuais com outros, distantes. A música de Brian Tyler em geral é suave, aparece oportunamente e sublinha estados profundos. A direção de James Vanderbilt é correta, para um filme até com elementos de ética (que é parte da filosofia), embora seja este seu segundo longa-metragem. Ele também assina o roteiro, com base no romance “O Nazista e o Psiquiatra”, de Jack El-Hai, de onde devem provir muitos personagens e vínculos, detalhados.
Em síntese: Nuremberg não é a única obra sobre a Segunda Guerra Mundial, nem sobre a Alemanha na época do nazismo, Hitler, Göring e demais figuras dessa ideologia. Mas tem um modo próprio de relatar e dar uma visão chocante, intensa e densa. Não faltarão, por outra parte, as polêmicas – tanto sobre o acontecido historicamente quanto sobre o próprio filme: tratava-se de justiça ou da necessidade de parecer justos ?
Assim como iniciamos este texto com uma citação do que aparece no filme, vamos fechar com a última linha, que conclue a exibição, após as imagens em movimento e traz um pensamento profundo:
A única pista para saber o que um homem é, é o que ele fez.- R. G. Collingwood
Por: Tomás Allen
(Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Diamond Films.)
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