Perturbador. Assim podemos começar a definir este filme. Tem muitas outras maneiras de fazê-lo e, com certeza, várias vão aparecer ao longo deste texto.

FICHA TÉCNICA
Título original: “Parthenope”
País de origem e ano: Italia, 2024
Duração: 2 horas 17 minutos
[Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 18 anos] Gênero: Drama
Direção: Paolo Sorrentino
Roteiro: Paolo Sorrentino
Elenco: Celeste Dalla Porta (como Parthenope), Stefania Sandrelli (Partenhope anciã), Gary Oldman (John Cheever), Peppe Lanzetta (Bispo), Luisa Ranieri (Greta Cool), Isabella Ferrari (Flora Malva), Emilio Salvatore (Prof. Restelli) e outros.
Fotografia: Daria D’Antonio
Edição: Cristiano Travaglioli Música: Lele Marchitelli.
Crédito da Imagem: Filmelier +
Parthenope é a história de uma mulher, desde seu nascimento, no ano 1950, em Nápoles – Itália. Cidade “onde sempre há um lugar para tudo”; o percurso vai até o presente. Na trama transcorrem todo tipo de situações.
Assim, a vida de Parthenope (Celeste Dalla Porta), já no início e depois na sua juventude, é própria de quem possui extrema beleza feminina. Mas isso não impede que seja um empecilho. Por exemplo para ser atriz (um avaliador lhe diz: “Você é bonita e enesquecível, mas seus olhos não têm brilho”.) Igual, ela pensa que “nos filmes antigos, os atores sempre têm uma resposta pronta”.
E sobre essa beleza e outros assuntos próximos, um homem reflete: “Mulheres bonitas são ofendidas sem trégua”; “A beleza encanta nos primeiros 10 minutos, e irrita durante os 10 anos seguintes”; “Uma atriz tem o dever moral de ser curiosa. As mulheres também. Caso contrário, sucumbiriam”; “A beleza é como a guerra; ela abre portas”; “Você tem noção da perturbação que sua beleza provoca ?”; “O desejo é um mistério e o sexo o funeral dele”.
Justamente a beleza e sex appeal, apresentada por Celeste Dalla Porta, com rostro e corpo muito bonitos, inundam a tela e as diversas cenas e sequências.
E essa diversidade atinge patamares extremos, tanto em modo positivo quanto negativo. Há romantismo, paixão, sensualidade e sexualidade e, também, o lado sinistro da extrema pobreza e a perversão com crueldade máxima.
Percebe-se um excesso de situações que não tem muito vínculo com a vida da protagonista e só se justificariam para descrever Nápoles, suas pessoas e costumes.
Não faltam constantes, agora sim, na vida de Parthenope: “Que ideia absurda” – diz muitas vezes; em que está ela pensando; ter sempre uma resposta pronta; jogar a culpa nos outros (parece típico da mentalidade de lá). E afirmações sobre o que se diz: “Há frases de efeito, frases obvias, frases verdadeiras e sobre o indizível”. Sobre o amor: “O amor é para tentar sobreviver”; “Os amores juvenís não servem para nada”. Sobre a vida: “No fim da vida sobrará apenas a ironia”. Sobre o suicídio. Sobre a antropologia (“é saber ver e ver é muito difícil, porque é a última coisa que se aprende”).
O filme chega a ser reflexivo e até resume o título do que seria uma tese acadêmica: “As razões antropológicas do suicídio” e “As fronteiras culturais do milagre”. E o dito por um professor universitário: “(Se pode) ensinar tudo, porém o mais difícil são os suspiros do amor”.
Com o resumido anteriormente se pode afirmar que Parthenope – Os Amores de Nápoles é um tobogã de impressões e emoções que podem atingir o espectador. Assim o dirigiu e fez o roteiro Paolo Sorrentino, que já tinha antecedentes como “A Grande Beleza” (2013).
Nesse sobe e desce, do romantismo e a beleza ao extremo oposto de maldade e feiura nasce o caráter perturbador da obra. Além disso, deve-se mencionar que Parthenope, na mitologia, é o nome de uma sereia que, ao morrer, funda Nápoles. Ou seja, o filme se vincula com esse mito fundador (naquilo que tem de belo e mortal).
Indo para o que atualmente se pode perceber e viver na sociedade, ás vezes a beleza exorbitante pode ser fatal para as mulheres. Marilyn Monroe, Medea, Branca de Neves e muitas outras mulheres míticas ou não, foram vítimas da sua beleza.
Em Parthenooe – Os Amores de Nápoles a fotografia de Daria D’Antonio é excelente e se destacam, entre outras, as atuações de Gary Oldman, Stefania Sandrelli, Silvio Orlando e Peppe Lanzetta.
Não resulta simples avaliar e descrever uma obra desta índole, devendo cada espectador decidir o que seria o resultado final. Para nós: muito bom, porém com algumas reservas.
Mais exatamente: Parthenope no carece do chamado “super-objetivo”, isto é o tema central e/ou de maior importância. Porque é relatar a vida da protagonista. E isso o filme o faz. Porém, Sorrentino se desvia para outros assuntos: Nápoles (cidade onde nasceu e tem seus vínculos); questões acadêmicas e universitárias; a beleza absoluta e a fealdade até ser monstruosa; o passo do tempo na vida humana; o suicídio e a morte; as organizações delitivas e perversas etc.
Por essa sobreabundância se lhe restam pontos, mas, por outros momentos e aspectos, se lhe acrescentam.
Por: Tomás Allen
Filme assistido em Cabine de Imprensa virtual promovida pela Filmelier+
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