O início deste filme é bastante interessante, algo entre prometedor e desnorteante: um policial consegue a confissão de um detido por meios coercitivos, quase drásticos. O enredo parece definido e, por isso mesmo, pode incomodar um pouco o espectador: será que já se sabe o final do que vai acontecer? Este recurso narrativo já foi utilizado pelo cinema; em particular pode-se lembrar o clássico diretor Alfred Hitchock quem, obviamente, teve um desempenho absoluto ao utilizá-lo. Lembremos que Hitchcock dizia que quando ele como diretor “ameaçava”, de alguma maneira, cumpriria com o antecipado. Pode não ser o caso comparar aquele gigante do cinema com este outro realizador, Brian Goodman – em seu terceiro longa-metragem. Porém, aquela mistura de sensações com relação ao já visto e o que vai vir, é bem provável que seja sentida no público. Nas sequências seguintes, a trama traz um casal com alguns problemas na relação e há diálogos tensos, mas não diretamente violentos. A esposa, Lisa (Jaimie Alexander, atriz de fisionomia inexpressiva) está cansada de seu marido Will Spann (Gerard Butler, que tem realizado uns cinquenta papéis em realizações prévias). Prestes a afastar-se dele, Lisa decide ir à casa de seus pais. O casal vai de carro, até que, numa parada em um posto de gasolina, de forma totalmente inesperada, ela some. Imagens desse fato resultam simples, porém misteriosas e até marcantes. E surgem perguntas: O que terá acontecido com Lisa? De que forma, por qual motivo?
Responder às perguntas anteriores e tentar encontrar e salvar a mulher seja do que for é o que motiva a ação do protagonista. A aparição da polícia dá lugar a diversas situações e margem para um personagem bem elaborado, o detective Paterson (o experiente Russell Hornsby, em bom desempenho). A ação leva Will a defrontar-se com um submundo tenebroso, de ilegalidade totalmente patológica. A palavra “ação” resulta exata pois é o que não falta – e deve ser o que o espectador, com certeza, procura. Mas, se por outro lado, se almeja alguma reflexão elaborada, talvez só se encontre de um modo indireto: os casos de desaparecimentos e sequestros com participação de sinistros indivíduos e organizações clandestinas que marcam as sociedades atuais. O cinema já tem explorado situações assim, por exemplo em Busca Frenética (Roman Polanski, em 1988). Nesse sentido de um marido que desce a um submundo procurando sua esposa, Caça Implacável fica na metade do caminho: interessa, porém não se aprofunda. Não é uma realização que ajude a refletir mais seriamente, mas também não é sua intenção.
Por: Tomás Allen (Fonte: www.parsageeks.com.br)
Deixe um comentário