Drop: Ameaça Anônima

“Thriller” é o gênero com que é classificado Drop: A Ameaça Anônima nas informações prévias do filme. Essa palavra inglesa pode ser traduzida como “suspense”, o que simplifica o entendimento. O suspense tem a ver com tensão, dúvidas, surpresas e fortes emoções. Procura gerar intriga com algo de mistério, porém a realidade resulta mais assustadora do que parece e a maldade humana surge de forma aterrorizante. Isto acontece tanto na literatura (por exemplo, Stephen King, Edgar Allan Poe ou Agatha Christie) quanto no cinema (Alfred Hitchcock com “Psicose” e “A Janela Indiscreta”). Possui uma atmosfera escura, viradas no roteiro, perseguições, mistérios que se revelam, ou caçadas de um assassino, onde nada é o que parece. O protagonista pode ser um personagem solitário que luta contra forças externas. Prevalece uma sensação de clímax prolongado.O suspense tem subgêneros:elementos psicológicos, ciência-ficção etc. Não é terror (não há sangue, fatos ou elementos sobrenaturais, fantasmas, bruxas, vampiros, zumbis). Dito isto, surge a questão: Drop: A Ameaça Anônima, é um “Thriller” ? No sentido estrito, não. Porque Christopher Landon, o diretor, embora tenha sete longa-metragens anteriores, com fantasmas, paranormalidade e morte, aqui apresenta um filme com outros elementos. Em toda a primeira parte há muita leveza, inclusive momentos com humor. Porém, aos poucos vão se inserindo detalhes e imagens mais pesadas. Como exemplo dos primeiros: alguns relógios estão às 10:12 quando é convenção que o equilíbrio se mostra por meio de agulhas (antes) ou números (atualmente) que marcam as 10 e 10.

Mais evidente e importante é que aparece a protagonista, Violet (Meghann Fahy), com o rosto ensanguentado e uma situação extremamente dramática na qual seu esposo lhe aponta com uma arma e depois lhe pede que atire nele, o que não acontece e dará lugar a um desenlace fatal. Essa má lembrança é superada e ela, viúva, vive com Toby (Jacob Robinson), seu pequeno filho. No seu entorno está Jen (Violett Beane), sua irmã, que se encarrega de cuidar do menino e a aconselha em assuntos bem femininos.

Depois de anos sem ter contato com homem algum, finalmente se produz um encontro em um restaurante muito luxuoso, com Henry (Brandon Sklenar), elegante e atrativo. Mas o clima romântico se desfaz quando ela começa a receber em seu celular, via o aplicativo “Drop”, perturbadoras ameaças informando que se não obedecer certas instruções, seu filho será assassinado. Para contornar essa situação, Violet criará todo tipo de recursos.

Embora se intercalam situações cômicas e ridículas, a forte pressão sobre a protagonista aumentará. A trama, agora sim, entrará em um percurso próprio de um “thriller”. Como as ligações são realizadas desde um local muito próximo, dentro do próprio restaurante, todos os que estão presentes passam a ser suspeitos. São quase infinitas as reviravoltas e a complexidade da trama também aumenta.

Chega-se às sequências finais com uma alta carga de violência e inteligência maldosa por um lado, enfrentada a astúcia por outra parte. O balanço geral mostra uma obra não desdenhável para quem pretende ver um suspense misturado com outros elementos. Intensa tarefa do casal Fahy-Sklenar e destaque para um personagem especial representado por Reed Diamond, que não convém detalhar para não criar um “spoiler” (antecipo desnecessário). Na trama se podem ver algo de obras de literatura: “Golpe de misericórdia”, de Marguerite Yourcenar, e “Sira”, de María Dueñas, porém, o problema principal do longa parece estar em um final convencional. Drop: Ameaça Anônima vem com um forte suspense, mas que não é um “thriller” clássico, alternando toques românticos, piadas e até algo de exagero.

Por: Tomás Allen (Fonte: www.parsageeks.com.br)


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