A partir do cartaz que o anuncia consegue-se saber que esta é uma realização espírita. Por tanto, não se podem esperar por surpresas em outra direção: ao longo das duas horas de duração, essa característica encontra-se presente, é uma cinebiografia dedicada ao religioso Zé Arigó (Danton Mello), médium de Congonhas do Campo, pequena cidade de Minas Gerais nos anos 50 até os 70 do século passado. É interessante saber que, segundo o dicionário Michaelis, “arigó” em alguns lugares do Brasil significa trabalhador ferroviário ou, também, caipira, indivíduo simplório. Quando se diz que esta produção está dedicada, podem-se entender duas possibilidades: que é um relato sobre essa vida ou que é uma dedicatória, uma homenagem, para tal pessoa. Talvez atinja as duas dimensões. Seja como for, o roteiro de Jaqueline Vargas resulta totalmente linear e o filme, dirigido por Gustavo Fernandez, também. É unidimensional.
Nesse resumo da vida de José Pedro de Freitas, um homem simples, casado com Arlete (Juliana Paes, quase irreconhecível) e com quem tem seis filhos. Ele se transforma em Arigó, reencarnação do espírito do Dr. [Alfred] Fritz (o inglês James Faulkner), suposto médico alemão falecido na época da Primeira Guerra Mundial. No presente realiza curas milagrosas, principalmente de câncer. Embora a produção, em padrão TV Globo, ofereça uma boa reconstrução de época (figurino, maquiagem, arte, prédios etc.), nada sai desse percurso conceitual. Para o filme, o protagonista é uma pessoa que efetua milagres e é rejeitado e perseguido pelo padre católico Anselmo (Marcos Caruso), alguns médicos e a Justiça (o juiz é Marco Ricca, em boa atuação). A principal acusação é o exercício ilegal da medicina e isso deriva em juízo e sentença condenatória, com pena de pouco mais de dois anos de prisão. Porém, a história vai ter reviravoltas.
Assim, também podemos conferir duas dimensões: Predestinado é simples (simplório?), porque não sai dos trilhos básicos. Porém, por outro ângulo, apresenta inúmeras situações na vida de José Pedro. Por um lado, o apoio popular a Arigó e, por outro, a luta com aqueles que não acreditam em suas curas com métodos nada ortodoxos, o que dá margem a críticas desde a perspectiva médica tradicional e argumentos legais inicialmente condenatórios. Tudo isso com abordagem empática e leve, pois, embora apareçam alguns estudiosos estrangeiros para analisar os fenômenos paranormais, não há outros questionamentos ou avaliações sobre questões psiquiátricas que aparecem no filme vivenciadas pelo protagonista, como a escuta de vozes, divisão de personalidade etc. Sem dúvida, vai agradar àqueles que acreditem em “curas psíquicas” – justamente maioria do público que comparecerá às exibições.
Por: Tomás Allen (Fonte: www.parsageeks.com.br)
Deixe um comentário