O matrimônio é uma desgraça? Ou uma espécie de mal necessário? Quais os benefícios e quais os aspectos negativos? O que pesa mais? Desta maneira, pode-se resumir o núcleo deste filme. Porém, existem inúmeras situações, argumentos, vínculos etc. que são abordados. Um ex-casal (Julia Roberts e George Clooney), que está divorciado faz anos, é defrontado com um fato iminente que os faz, obrigatoriamente, encurtar a distância e ter um objetivo em comum. Eles ficam sabendo que sua filha (Kaitlyn Dever) vai casar-se com um homem de Bali. Visto o histórico de seu casamento, decidem aproximar-se agora para impedir essa nova união. Que a filha não repita o erro deles! Para isso, viajam até aquela distante ilha. E lá acontecem todo tipo de situações, algumas a favor e outras contra o matrimônio. Fatores que aproximam e outros que distanciam a cerimônia; dentre outros, o chamado “choque cultural”, esse estranhamento que produz conhecer costumes diferentes dos próprios e habituais é apresentado de modo bastante cuidadoso.
Ingresso para o Paraíso acerta positivamente já desde o título: esse Paraíso pode referir-se tanto à ilha, com belíssimas paisagens, quanto às expectativas que pode criar um casamento. Aliás, o novo casal pretende morar lá. E os méritos prosseguem na tela quando o editor (e o diretor, claro) na sequência inicial, por meio de uma montagem paralela, vai dando as versões discordantes da mulher e do homem sobre os fatos do passado. Tudo resulta engraçado. Também há momentos hilários no avião, hotel, passeios, percursos na ilha e seus arredores. O roteiro está muito bem construído tanto na dimensão do relato, criando um espetáculo fluente, quanto nos diálogos – engenhosos e inteligentes, principalmente sobre o que é uma relação entre duas pessoas. Definido previamente como uma “comédia romântica”, é isso: apresenta-se de modo amável, por momentos leves e por ocasiões até reflexivo. Ol Parker dirige de forma competente, certamente apoiado por boas atuações dos famosos Roberts e Clooney, e da jovem e provável nova revelação de Hollywood: Kaitlyn Dever. Bem apoiados pelos coadjuvantes, Billie Lourd e outros. Muito bons trabalhos dos experientes responsáveis pela edição (Peter Lambert), fotografia (Ole Bratt Birkeland, ao registrar paisagens bonitas, mas não só isso) e figurino (Lizzy Gardiner, cuja origem australiana deve ter facilitado seu trabalho). Tirando o pequeno defeito de um final que parece demorar um pouco em chegar. Ingresso para o Paraíso é, também, o ingresso a quase duas horas cinematográficas bem confortáveis.
Por: Tomás Allen (Fonte: www.parsageeks.com.br)
Deixe um comentário