Irmãos de Honra

Às vezes resulta útil assistir até o final de uma exibição de cinema, seja em sala ou via “streaming”, em casa. Porque os créditos finais podem ilustrar sobre aspectos que não estão nas imagens do relato. Claro que praticamente ninguém faz isso. Nesta ocasião uma das últimas linhas diz que esta produção contou com a colaboração do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América (o organismo de relações internacionais e da política exterior). Isto pode ser óbvio, mas também, reafirma que o filme tem uma tendência positiva ou, até, quase propagandística – podemos dizer -, do atuar desse país em questões bélicas. Por tanto, não se poderia esperar outra perspectiva que a elogiosa das forças armadas estadunidenses. Claro que a maioria dos espectadores não ligará para tais assuntos e assistirá para desfrutar de uma realização bélica bem movimentada.

Irmãos de honra se passa em 1950 e os anos seguintes na guerra que envolveu as atuais Coreia do Norte e do Sul (mais exatamente na fronteira da primeira com a China). A participação dos Estados Unidos no conflito é mostrada neste filme com o bombardeio de uma ponte nessa região. O protagonista é Jesse Brown (Jonathan Majors), um piloto negro da aviação militar. De classe média e com uma família composta por esposa e uma filha pequena. Em seu lar prevalece o amor, o carinho e a harmonia. Por outro lado, por causa da sua condição racial não lhe faltam problemas no exército. Querido por alguns, mas rejeitado por outros colegas deve superar suas próprias limitações para conduzir aviões. Já desde a etapa de instrução e nos treinos prévios à guerra na qual atuará, ele demonstrará coragem e audácia. Nesse sentido, buscando a autossuperação, ele reflete sobre si próprio com sentimentos intensos. Para captar tal intensidade, há uma cena com um primeiro plano de câmera frontal próxima ao rosto muito exigente, que resulta impactante. A atuação de Majors não apenas nessa oportunidade, mas nas duas horas e 19 minutos resulta convincente.

As ações dos caças trazem o esperado: bem filmadas sob a direção de fotografia de Erik Messerschmidt (que já tem antecedentes cinematográficos premiados a nível internacional) e material provavelmente fornecido pelas forças armadas, são movimentadas. Mas, se há espetáculo, falta elaboração de ideias. Só algumas podem ser citáveis: Não se aprende tudo nos livros nem na academia. O que há mais destacado na vida é ser confiável. E a afirmação sobre o piloto que se arrisca: o mais importante é trazê-lo (de volta) para casa. Nos itens técnicos destaca-se a correta edição de Billy Fox, a boa música de Chanda Dancy (que aparece mais definidamente na última parte da exibição). Irmãos de Honra tem uma direção acertada de J. D. Dillard, principalmente para trazer um final não totalmente convencional e com bastante emoção.

Por: Tomás Allen (Fonte: www,parsageeks.com.br)


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *