Sr. Blake ao seu Dispor

Filme cuidadoso, até delicado. A trama apresenta a Andrew Blake (John Malkovich), um empresário inglês viúvo que vai à França com saudades da sua esposa, falecida. O faz de modo incógnito, tentando se hospedar em um castelo, propriedade de Nathalie Beauvillier (Fanny Ardant).

FICHA TÉCNICA

Título original: “Complètement Cramé !”
País de origem e ano: França/Luxemburgo, 2023
Duração: 1 hora 50 minutos
[Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 12 anos] Gênero: Comédia-Drama
Direção: Gilles Legardinier

Roteiro: Christel Henon e Gilles Legardinier
Elenco: John Malcovich, Fanny Ardant, Émilie Dequenne e outros.
Fotografia: Stéphane Le Parc
Edição: Chrystel .Alépée
Música: Erwann Chandon

Crédito da imagem: Mares Filmes

Como essa residência não está preparada para receber hóspedes, Blake é aceito na qualidade de mordomo, em período de experiência, com duração não claramente estabelecida. Há uma terceira pessoa que vai intervir em modo importante: Odile (Émilie Dequenne), a encarregada dos afazeres domésticos, principalmente da cozinha. Depois vão aparecer outros personagens (em especial, um vizinho, uma jovem e um casal de antigos amigos dele).

Toda a primeira parte resulta interessante, com muito diálogo que, embora bem verbalizado pelos atores e atrizes, não é muito apropriado para um filme, pois os manuais clássicos consideram que a imagem deveria prevalecer. Cresce, sim, a importância do roteiro e a excelente fotografia – o que continua ao longo dos 110 minutos.

Já na segunda parte, as sequências são mais dinámicas, adquirindo ritmo e desenrolar bem cinematográficos. Tomam vigência as situações dramáticas, ainda sem deixar de lado pitadas de comicidade e ironia. Porém, alguns momentos podem ser considerados forçados, ridículos, inclusive com excesso de cordialidade.

Mas o que pode ter alternância entre o positivo e algo de negativo, é superado, afirmando-se até chegar a uma consolidação que alcança a emoção.

Tudo isso, sem esquecer certas reflexões. Citamos algumas: – A nostalgia nos machuca, não é ? – Apenas quando se está acordado, caso contrário é um sonho. — A vida pode ser dura às vezes. Mas conversar, mesmo com um estranho, pode ajudar. — Porque está cozinhando só para um gato ? — Por que ele não me julga. —- Aqui todos parecem perdidos. Como eu mesmo. —– Não confundir cavalheirismo com covardia. —— Sobre a idade das pessoas: As verdadeiras rugas não estão no rosto, e sim na cabeça. ——- Todos estamos na vida em um período de experiência. Desde o primeiro dia ao último. ——– Nunca devemos perder a esperança. Mesmo quando nos falta.

Há segredos pessoais, alguns dolorosos e muitas histórias de vida, em todos os personagens,

As atuações, tanto de John Malkovich, que tem superado certas limitações como o egocentrismo, como de Fanny Ardant, são magníficas. O primeiro ao longo de todo o filme e a segunda em algumas cenas em particular. E os demais acompanham muito bem. Há competência nos aspectos que podem ser definidos como técnicos (fotografia, decorado, maquiagem, figurino, e – em particular – a música).

Existem antecedentes de títulos com mordomos como protagonistas. Os mais famosos: Cuidado com o Mordomo (EE.UU., 1967) [comédia com Dick Van Dicke]; O Criado (Grã Bretanha, 1963) [com Dirk Bogarde]; Arthur, o Milionário Sedutor (EE.UU., 1981) [com Dudley Moore e John Gielgud, ganhador do Óscar]; Vestígios do Dia (Grã Bretanha, 1993) [com Anthony Hopkins]; Albert Nobbs (Grã Bretanha, 2011) [com Glenn Close, vestida de mordomo]; O Mordomo da Casa Branca (EE.UU, 2013) [com Forest Whitaker].

Mas em Sr. Blake, ao seu Dispor há características diferentes: é intimista e supera certos vacilos, para concluir com sequências comoventes e um final bem atingido.

Por: Tomás Allen

(Título assistido em Cabine de Imprensa virtual promovida pela Mares Filmes)

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