Filme russo que encaixa em uma linha histórica dentro da filmografia desse país. Como é um episódio baseado na vida de uma menina que foge dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, faz lembrar os títulos dessa origem dos anos 1950 e 1960. (“A Carta Que Não Se Enviou”, “Quando Voam as Cegonhas” etc. ). E, também, outros mais recentes (“Vá e Veja”, de 1985). Todas realizações muito duras, de não fácil visualização nem digestão, trazendo os horrores da guerra como protagonista, com a resistência e contragolpe soviético aos alemães ao longo dos anos (1941 – 1943).
Anna é uma menina judia que sobreviveu a um massacre e teve que esconder-se em um local abandonado, sem recursos e sozinha. O relato tem pouquíssimas palavras, cores apagadas, poucos fatos – alguns menores e outros mais relevantes, mas todos com o selo da angústia, da perseverança, da astúcia e até da sorte. O tempo todo está presente o que em psicologia se denomina resiliência, qualidade que caracteriza as pessoas que conseguem sobrepor-se a fortes adversidades. Anna é um exemplo notável dessa condição. Isso faz lembrar, necessariamente, a história de Anne Frank. Adolescente alemã, também de origem judaica, que, como Anna, passou anos escondida dos nazistas em um quarto. Seu diário conseguiu difundir suas peripécias, em modo mais extenso que as de Anna. Mas os casos são similares.
O filme dura 74 minutos e não tem outros acontecimentos nem objetivos que os já antecipados: a dura, férrea, resistência da pequena protagonista. Porém, é, por outro lado, um convite à reflexão de como podem os seres humanos ter tanta perversidade (embora apareçam casos isolados de empatia com a menina). A Guerra de Anna interessará aos que valorizem a memória histórica, ainda que isso represente um esforço emocional.
Por: Tomás Allen (Fonte: www.parsageeks.com.br)
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