Nova versão de um clássico da literatura e o cinema universais, que possui elementos em comum com as obras anteriores e, também, características diferentes.

FICHA TÉCNICA
Título original: “The Bride”
País de origem e ano: Estados Unidos, 2026
Duração: 2 horas 6 minutos
[Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 16 anos] Gênero: Terror
Direção: Maggie Gyllenhaal
Roteiro: Maggie Gyllenhaal
Elenco: Jessie Buckley (como A Noiva), Christian Bale (o Monstro), Jake Gyllenhaal (Ronnie Reed), Annette Bening (Dra. Euphronius), Penélope Cruz (Myrna Mallow) e outros.
Fotografia: Lawrence Sher
Edição: Dylan Tichenor
Música: Hildur Gudnadóttir
Crédito da imagem: Divulgação Warner Bros.
Dizer “filme de terror” implica enquadrar em um gênero cinematográfico, ou seja definir suas características: ter uma atmosfera sombria, assustadora, que produza medo, tensão, ansiedade, repulsa. Isso, diante o desconhecido ou sobrenatural, com elementos que fogem da chamada ‘realidade’. As personagens podem estar em perigo, ameaçadas. E os temas têm um ar sombrio, perturbador. As cores são escuras, há sombras, ambiente claustrofóbico, com uso de maquiagem, fotografia e efeitos especiais que acentuam ferimentos e marcas.
Por outra parte, na arte está a estética gótica. A antiga literatura gótica passa para o cinema, principalmente para o gênero do terror. No caso de A Noiva! a iluminação e as sombras, e cores, unidas a temas como a morte, a ressurreição, o sofrimento, criam um ambiente gótico.
Por tanto, estamos diante de uma obra de “terror gótico”, com mistério e horror. Mas que não procura impacto direto nessa linha. Além do anterior, a esses elementos básicos se podem acrescentar outros: romance atípico, sexualidade estranha, assuntos sociais (inesperado vínculo com o feminismo) …
Nesta ocasião, a trama traz Mary Shelley (Jessie Buckley) que foi autora, em 1818, do romance Frankenstein. Nesse livro o Dr. Frankenstein cria um ser a partir de diferentes partes de cadáveres. Agora, no filme, há uma mulher, Ida, identificada preferentemente como “a noiva” (também Jessie Buckley), bastante liberal (por dizer de um modo leve), que tem um acidente do qual deriva seu óbito. Extrovertida, com ampla riqueza de vocabulário, ela será objeto de interesse do ‘monstro’ (Christian Bale) que, como o clássico, se sente sozinho, em agonia; e quer conhecer o quê será um vínculo íntimo com uma mulher. Por intervenção da Dra. Euphronius (Annette Benning), nome que ironicamente significa ‘de espírito alegre’, ‘equilibrado’, realizará, por meios científicos e técnicos, o resgate do cadáver de Ida para tentar cumprir com aquelas necessidades.
A doutora reflete e reconhece que ressuscitar alguém não é bom nem do ponto de vista científico, nem do ético. Contudo, não evita realizá-lo.
O filme caminha para um excêntrico namoro, ou como quer se chame. É que a autora do livro, como já dissemos antes, no filme fica orientando à protagonista na sua atuação e diz: “Vou escrever uma história de terror. Mas agora será pior: uma história de amor”.
A primeira metade da projeção só resulta discreta. Mas depois se intensifica. Com relação aos temas e ao tratamento, há um certo grau de excessiva proximidade com o sombrio, a morte, cadáveres, morbidez. Por outra parte, há sequências com ritmo desenfreado e com deliberado exagero, gerando uma atuação histriônica por parte da protagonista.
Além disso, em alguns sentidos, pode fazer lembrar a “Bonnie and Clyde” (EE.UU., 1967), quando o casal se desloca em um carro, realizando ações intensas, e a “All That Jazz” (EE.UU., 1979), pela dinâmica da música e da edição.
Com relação aos elementos técnico-artísticos: a edição (Dylan Tichenor), a fotografia (Lawrence Sher) e a música (Hidur Gudnadohir) conseguem um patamar elevado. Também é assim a atuação de Jessie Buckley, como protagonista. Além dos outros atores e atrizes mencionados, Penélope Cruz surge em uma aparição surpresa inicialmente e vai crescendo como personagem até chegar a destaque no final. Maggie Gyllenhaal tem trabalhado muito como diretora e roteirista, o que combina com os antecedentes que foi uma atriz de destaque em títulos bem avaliados e, incluso, em cinema independente.
Puxando todos os fios colocados anteriormente, A Noiva! apresenta um terror gótico que agradará aqueles que procurem uma história de amor e sexo com seres excêntricos.
Por: Tomás Allen
(Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Warner Bros.)
Nota do editor: Sobre antecedentes cinematográficos de A Noiva !, há uns 150 títulos referidos a Frankenstein, criador de um ser impressionante. O melhor deles é de 1931, com direção de James Whale e atuação de Boris Karloff. Também está o Frankenstein (2025, de Guillermo Del Toro, com 9 indicações ao Oscar). Com relação à noiva de Frankenstein, há uns 50, começando, justamente, por “A Noiva de Frankenstein”, de 1935 e os mesmos profissionais que o de 1931. E em 2023 se realizou, “Pobres Creaturas” (‘Poor Things’), com uma releitura feminista mais atual.
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