Produção tailandesa, percorre caminhos nada habituais. Mistura de horror leve, tem momentos mais ou menos sérios, e outros, até risonhos.

FICHA TÉCNICA

Título original: “Pee chai dai ka ”
País de origem e ano: Tailândia, 2025
Duração: 2 horas 10 minutos
[Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 16 anos] Gênero: Terror / Comédia
Direção: Ratchapoom Boonbunchachoke

Roteiro: Ratchapoom Boonbunchachoke e Geoffroy Grison (consultor)
Elenco: Davika Hoorne (como Nat), Wisarut Himmarat (March), Wanlop Rungkumjad (Krong), Thityanan Phoungbut (Mãe), Apasiri Nitibhon (Suman) e outros.
Fotografia: Pasit Tandaechanurat
Edição: Chonlasit Upanigkit Música: Não consta nos créditos.

Crédito da Imagem: “site” oficial internacional / Pandora Filmes

Insólito filme, até para resumir sua trama. Um casal mora em uma cidade totalmente contaminada por pó, que está no ar, invadindo todo e impedindo respirar em forma normal. Nat (Davika Hoorne, dona de uma beleza diferente) faleceu por esta causa. Seu esposo March (Wisarut Himmarat) fica doente e desesperado, até que descobre que o espírito dela está em uma aspiradora que o vem visitar em seu … leito. A partir daí se alternam a máquina e a mulher-humana.

O tema que uma pessoa falecida regresse em outra forma não é novidade. Porém, sempre em forma animal (um cachorro ou um gato, por exemplo), não em um objeto doméstico. O que sim temos na cultura ocidental é acrescentar-lhe um valor mágico a um objeto deixado por um morto: um quadro, um espelho, um livro ou uma arma. E há filmes de suspense ou misterio que utilizam esse recurso, e esses objetos podem ajudar ou assustar os personagens.

E não se trata de um delírio explicado nem pelas outras pessoas que rodeiam a March nem pelo próprio relato cinematográfico, que descreve objetivamente essa mistura de realidade com irrealidade.

As situações com essas características abrangem fábricas, órgãos oficiais, organizações religiosas, policiais etc. Tudo, personagens, vínculos, decisões, aparece desse jeito em A Useful Ghost: Uma Ajuda do Além. Inclusive amor, sexo, morte.

Contudo, além das situações mencionadas, há cenas que se encaixam em um tom não só misterioso mas, também, de certo terror. Incluindo uma lobotomia/electrochoque cerebral para apagar memórias nefastas e a luta pelo controle da memória de um personagem obsesionado. Outras cenas tem bastante ironia, sempre dentro de um contexto inusual.

Aparecem definições ou perguntas que podem ser referidas aqui: “O pó (que está no ar e contamina) é necessário porque dessa maneira progride a sociedade”.- “O futuro é agora”.- “Há fantasmas do bem” (e outros do mal).”- “Eu sou meu próprio fantasma”.- “Há (…) motivos para que uma morte tenha valor: Ser lembrado”.-

Bastantes considerações sobre os sonhos: “O que será que as pessoas sonham?”- “Será que os sonhos são imagens de coisas trágicas? / Ou serão fantasias que só ficam em desejos?” Esses apontamentos com duas possibilidades que marcam rumos diferentes, fazem lembrar as posturas dos fundadores do psicanálise: Carl Jung (a primeira variante) e Sigmund Freud (que dizia que os sonhos são “aspiração de desejos”). E a realização avança: “Você é um sonho?” – Será que se pode ‘visitar’ o sonho de outra pessoa?

Com relação a aspectos técnicos, há recursos da fotografia ( ) muito bem realizados (por exemplo alguns fundidos – com superposição ou alternância de imagens).

A origem da produção e a avaliação que cada espectador pode fazer (há muitos elogios mas também rejeições) não permite dar uma opinião sobre o cinema da Tailândia. Um título só não é suficiente para ter ideia nem aproximada do que pode ser esse cinema.

Com os elementos anteriores, pode-se dizer que A Useful Ghost: Uma Ajuda do Além pode interessar àqueles que procuram uma obra diferente, em vários sentidos. Ser uma excursão por um produto de origem nada habitual.

Por: Tomás Allen

(Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Pandora Filmes)

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