Uma Batalha Após A Outra

Um grupo estadunidense autodenominado revolucionário é solidário com imigrantes mexicanos que serão deportados. A operação de liberação contra forças armadas oficiais será drástica, e violenta. Assim é a sequência inicial e o filme continuará desta maneira, com enfrentamentos de todo tipo.

FICHA TÉCNICA

Título original: “One Battle After Another”
País de origem e ano: Estados Unidos, 2025
Duração: 2 horas 41 minutos
[Classificação indicativa: [Não recomendado para menores de 16 (dezesseis) anos]

Gênero: Ação / Drama
Direção: Paul Thomas Anderson

Roteiro: Paul Thomas Anderson (com base em romance de Thomas Pynchon)
Elenco: Leonardo DiCaprio, Sean Penn, Benicio Del Toro e outros.
Fotografia: Michael Bauman
Edição: Andy Jurgensen
Música: Jonny Greenwood

Crédito da ilustração: Divulgação/Warner Bros.

Nessa luta impiedosa, vão se alternar solidariedade, amor e sexo, com ressentimento e ódio; lealdades com traições; nobreza com ferocidade. Este título tem a direção e roteiro de Paul Thomas Anderson, de quem já vimos Magnólia, Petróleo Sangrento, ‘The Master’ e Vício Próprio, entre outras, todas obras fortes e bem-feitas.

Aqui, o protagonista é o Bob (Leonardo DiCaprio), indivíduo que pode ser considerado nobre, ainda que com indisfarçáveis defeitos, embarcado em um grupo rebelde como o Exército de Liberação Nacional ou French´75. Esta obra de P. T. Anderson descreve tal agrupamento como organizado no que se refere às armas, à logística e à própria segurança na clandestinidade. Também o apresenta como anticapitalista, mas não possuidor de consistência ideológica. Há carência de objetivos estruturais, de um programa revolucionário. Não são um partido político ou braço armado com o qual se entrosem.

No sentido anterior, pode-se defini-los como anarquistas, pessoalmente contraditórios. Por exemplo, Perfidia (Teyana Taylor), líder decidida, simultaneamente resulta ambígua em seus vínculos amorosos e sexuais.

Porém, não são os únicos personagens envolvidos na trama e envolventes para o espectador. Também, entre outros, estão o rebelde chamado Sensei Sergio St. Carlos (Benicio Del Toro); Willa, a jovem filha de Teyana (Chase Infiniti); o poderoso, decidido e cruento Tim Smith (John Hoogenakker); o criminoso, com limites, Laredo (Wood Harris).

Mas sobressai o experimentado Sean Penn, representando o Col. Steven J. Lockjaw. Trata-se de um militar que reaparece na vida de Teyana e que mostra uma patologia profunda, comandando ações destrutivas, argumentando e transformando seu ressentimento e lado sombrio em um nível pouco menos que inconcebível.

Penn tem uma atuação destacadíssima, com seu olhar, gestos, modo de caminhar, caráter decidido e que evidencia aquelas características de modo marcante. Soma-se, a Leonardo Di Caprio, também em desempenho muito competente, destacando-se ambos em um elenco que, como dito, é de grande elaboração. Além disso, há constante música que sublinha fortemente os acontecimentos.

Voltando ao Col. Steven J. Lockjaw, digamos que diante de um personagem assim, o espectador pode-se perguntar se a maldade que tem é prévia, intrínseca, e depois se canaliza em sua índole de militar poderoso que se aproveita de tal condição, ou se é o oposto, onde uma profissão molda e faz que os indivíduos se transformem.

Além de toda a ação que permeia a trama, e dos aspectos psicológicos inseridos, Uma Batalha Após A Outra é decididamente político. Em especial ao deixar nus os ultraconservadores estadunidenses, mostrando-os como cínicos, autoproclamados racistas, que acreditam ser superiores, mas são impiedosos, usam elaborados métodos ilegais e não vacilam ao aniquilar aquelas pessoas que definem como marginais e inferiores.

Algumas falas acentuam a visão destes indivíduos e grupos: – Se quer salvar o planeta, comece pela imigração. – (Temos que) voltar ao mundo puro e seguro. – O gosto define a cada homem (diz um endinheirado que procura ser “chique”). Essas descrições e críticas que P. T. Anderson faz, com certeza estão direcionadas a tais perspectivas. Apontam, de um modo ou outro, à atual administração dos Estados Unidos, e não serão do agrado de muitos. Também o contrário. E com relação aos grupos rebeldes, alguns gostarão de encontrar na tela uma atitude bastante drástica (“Isto é uma declaração de guerra; esta é uma organização contra o imperialismo e o Estado” – dizem os setores protagonistas do filme, encarnando uma postura bastante drástica). Para parte do público, serão apenas declarações e ações insuficientes.

Embora apresente alguns excessos e tenha até situações ridículas (por exemplo, a cena de um pai no encalço de sua filha), por tudo o anterior, mais as espectaculares perseguições e seus desfechos, quase todos violentos, as reviravoltas – pelo geral imprevisíveis -, alguns momentos cômicos, outros emocionantes e vários impactantes e um final que faz jus ao título, com tudo isso, o cinema atual está perante uma produção incomum.

Paul Thomas Anderson já tinha um estilo decidido, até provocador e chocante, mas aqui atinge um nível ainda superior.

Por: Tomás Allen

(Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Warner Bros.)

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