Crime Sem Saída

Um filme pleno de ação. De uma ação dinâmica e, também, bem realizada. Nada de ação vazia ou boba. Não. Um dinamismo com uma trama que sem ser densa nem totalmente original, cumpre plenamente com um fio condutor não isento de suspense, confiança e desconfiança, e com um estreito vínculo entre início e final, e convicções-atitudes do protagonista. O relato é simples e fácil de ser acompanhado. Andre Davis (Chadwick Boseman) é um investigador policial, já com antecedentes – bons e outros não tão convincentes – se involucra em um delito que em princípio deveria ter sido menor, mas que resulta em algo maior e com muitas mortes e complicações. Davis tem uma forte influência religiosa derivada da mãe e procura cumprir com o preceito bíblico do livro Romanos (13:4), citado no filme: “(ser) ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal”. Desde essas bases parte Crime sem Saída.

Resulta interessante mencionar os antecedentes de alguns daqueles que fizeram o filme. O diretor é Brian Kirk, irlandês que dirigiu, no ano 2011, 20 horas em três episódios da série de TV Game of Thrones e vários outros trabalhos nesse meio. Os atores, o mencionado Ch. Boseman que é conhecido como T’Challa / Black Panter em Capitão América – Guerra Civil (2016), Pantera Negra (2018) e as recentes Vingadores: Ultimato (2018) e Vingadores: Guerra Infinita (2018). Sienna Miller, de Sniper Americano (de Clint Eastwood, em 2014), e outros 28 longa-metragens. Taylor Kitsch, de X-Men Origens: Wolverine (2009) e diversos trabalhos em cinema e televisão. E J.K.Simmons, também de X-Men Origens: Wolverine, Homem-Aranha (os três da série cinematográfica), Whiplash (2014), La La Land (2016), e mais de 80 títulos. O editor Tim Murrell, também com bons serviços prévios. E o diretor de fotografia, Paul Cameron, com 15 longas anteriores. Todos estão à altura de seus antecedentes, mas deve-se sublinhar a J.K.Simmons, sóbrio, dominador de seu papel (tanto o ator quanto o personagem), Ch. Boseman (principalmente pela extensa labor) e Taylor Kitsch, como um malvado irredutível. Sienna Miller e outros acompanham muito bem esse trio destacado.  Parágrafo aparte para a fotografia de Paul Cameron, excelente desde o início mesmo. A edição de Tim Murrell dá muito dinamismo ao relato. Os compositores musicais Alex Belcher e Henry Jackman também souberam acompanhar o que acontece na tela. Além disso, as várias persecuções – em veículos e a pé – e o ambiente turvo da cidade estão muito bem filmados. E as sequências finais resultam melhores ainda. 

Para avaliar o filme desde um ponto de vista cinematográfico não é necessário conhecer Nova York, a cidade onde se passa. Nem prestar demasiada atenção a se é realista ou não (a improvável tarefa policial de fechar as 21 pontes do título original inglês). Parece bem melhor curtir a ação, dinâmica, que prende ao espectador.  Os muitos convencionalismos que estão presentes sobre a polícia, sua condição humana, como pessoas que tem famílias, suas divisões e enfrentamentos segundo sua pertença institucional (“Vocês têm muita coragem mas pouco cérebro” – acusa um investigador a outro), etc. podem ser relativizados em Crime Sem Saída por essa condição de realização potente, e por um final por um lado definitivo, mas também apropriado para conversa e até para discussão.

Por: Tomás Allen (Fonte: www.parsageeks.com.br)


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