Segundo longa-metragem com os mesmos personagens e elenco do primeiro, de 1998. A trama também retoma elementos centrais do primeiro.

FICHA TÉCNICA

Título original: “Practical Magic 2”
País de origem e ano: Estados Unidos, 2026
Duração: 2 horas e 10 minutos
[Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 12 anos] Gênero: Comédia romântica
Direção: Susanne Bier

Roteiro: Akiva Goldsman, Georgia Pritchett e Kelly Marcel
Baseado no romance The Book of Magic, de Alice Hoffman
Elenco: Sandra Bullock (como Sally Owens), Nicole Kidman (Gillian Owens), Stockard Channing (Franny), Dianne Wiest (Jet), e outros.
Fotografia: Simon Duggan
Edição: Sam Williams Música: Rupert Gregson-Williams Figurino: Alexandra Byrne

Crédito da Imagem: Warner Bros. Pictures Brasil

Esta realização continua a história da família Owens, que se caracteriza por ter bruxas entre seus integrantes, desde épocas remotas. Como já apresentava o filme anterior, além do preconceito, as mulheres da família se defrontavam com uma maldição que as impedia de viver plenamente um amor autêntico e duradouro: os homens por quem se apaixonam estão destinados a morrer. Aquele título, de 1998, é um mix de comédia, romance e suspense ao qual se acrescentam elementos sobrenaturais e de fantasia.

Embora a recepção inicial do primeiro filme não tenha sido especialmente entusiástica, sua permanência no imaginário do público acabou favorecendo o retorno das personagens quase três décadas depois.

O atual mantém o elenco original. Assim, além das protagonistas, as atrizes que fazem o papel de tias, Stockard Channing e Dianne Wiest, continuam as mesmas. As personagens principais são Sally (Sandra Bullock) e Gillian (Nicole Kidman), interpretadas por duas atrizes ganhadoras do Oscar . As tias também são representadas por atrizes de grande reconhecimento: D. Wiest ganhou duas vezes o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, enquanto S. Channing foi indicada ao prêmio de Melhor Atriz. Também a diretora, a dinamarquesa Susanne Bier, possui um Oscar, recebido pelo filme Em um Mundo Melhor, além de diversos outros prêmios. Isto é, trata-se de um conjunto de profissionais de peso cinematográfico.

Pode ser interessante apontar que, diferentemente do primeiro, dirigido por um homem, Griffin Dunne, agora há uma forte predominância feminina na realização: mulheres produzem, escrevem, dirigem e atuam, tendo como centro personagens femininas e relações entre mulheres.

Continuando com as protagonistas deste, de 2026, elas são acompanhadas por Kylie (Joey King) e Antonia (Maisie Williams), duas jovens filhas de Sally e sucessoras da linhagem. Por essa condição de herdeiras, são bruxas e, portanto, estão submetidas à maldição que impede as mulheres da família Owens de viverem tranquilamente seus romances. Assim, começam a ocorrer mortes e tragédias: primeiro, a da tia Jet (D. Wiest), anunciada por um misterioso besouro que antecipa a morte; depois, Gideon (Xolo Maridueña), jovem por quem Kylie se apaixona, sofre um acidente de trânsito chocante e suspeito e entra em coma.

A relação entre Sally e Gillian oscila, porém permanece fundamental: ambas gostariam de superar a maldição do amor, tanto para elas mesmas quanto para as jovens. Para isso, contam com a ajuda das tias Jet e Franny (S. Channing), enquanto uma nova geração começa a descobrir a própria herança mágica.

No filme, aparece um inseto que antecipa mortes; há fenômenos físicos inexplicáveis racionalmente; um livro que pode pôr fim à maldição; conjuros; pactos de sangue; viagens de iniciação e conhecimento; além da busca por um especialista em bruxaria. A narrativa desloca parte de sua ação para a Inglaterra, onde Kylie procura uma maneira de salvar Gideon e romper o destino que acompanha as mulheres Owens.

Assim, a trama vai passando por momentos de traquinagem, suspense, anúncios de morte, gêneros cinematográficos, vínculos entre os personagens e situações diversas. As atuações de Bullock e Kidman são intensas e, também, algo reiterativas. Por um lado, podem ser entendidas como mantenedoras do relato e de suas personagens; por outro, como cansativas. Há uma identificação muito intensa entre atrizes e personagens, e essa intensidade é reiterada pela câmera até a saturação. Também os constantes deslocamentos da personagem de Nicole Kidman, submetida a um reiterado ir e vir pelo espaço da cena, contribuem para a sensação de saturação.

Isso se deve, em boa parte, à fotografia de Simon Duggan, com muitos primeiros planos dos rostos das mencionadas atrizes. A proximidade constante da câmera reforça a expressão emocional das protagonistas, mas a repetição desse recurso acaba diminuindo seu efeito e produzindo a mencionada saturação visual. A boa música de Rupert Gregson-Williams acompanha e reforça as imagens, enquanto o figurino de Alexandra Byrne contribui para a construção do universo particular dessa família.

Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor é muito adequado para o público que goste de fantasia vinculada à magia lúdica e atenuada, e não ao terror gráfico ou a rituais puramente sombrios. Embora não seja uma obra extremamente elaborada, poderá encontrar espectadores dispostos a serem cúmplices de aventuras dessa índole.

Por: Tomás Allen

(Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Warner Bros. Pictures)

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