Dançando no Silêncio

O tema da violência contra a mulher não é novo no cinema. Por exemplo, “Cama ardente” (1984) com Farrah Fawcett mostrava os limites da violência num filme que, na época, surpreendeu por sua ousadia na trama. Este filme franco-argelino entra em cartaz explorando a mesma temática. Estamos diante de uma história de luta, injustiças, agressões e violência cruel. Principalmente contra uma mulher, Houria (Lyna Khoudri), a protagonista. Ela é uma dançarina de balé que sonha com atingir níveis mais elevados nas suas performances e na vida em geral. Treina para isso, suportando sacrifícios diversos, dentre os quais uma diretora rígida (Rachida Brakni), mas com um propósito definido: que suas alunas sejam as melhores na dança.

A vida de Houria se completa com diversos vínculos de amizade com outras mulheres e com a convivência com uma amiga, cansada e desiludida totalmente da vida na remota cidade onde moram. Porém, essa mulher tem sonhos de liberdade e progresso. Para isso, planeja viajar/fugir para Espanha e reconstruir-se. Houria a escuta e reflete sobre tais possibilidades. A seguir acontece um fato decisivo, que transformará drástica e dramaticamente a vida de Houria. É frequentadora de um submundo de apostas clandestinas onde animais são utilizados para combates brutais e degradantes. E uma dessas noites recebe um dinheiro que poderia ser contestado por outro indivíduo. Este a perseguirá na saída do local e, finalmente, lhe quitará esse dinheiro e, sobretudo, a baterá sem piedade. Aí se inicia um percurso doloroso para tentar sair das lesões físicas sofridas e de uma mudez permanente.

Novos desafios e relações aparecerão para Houria, defrontada com esses novos rumos. Assim, esta produção foi concebida e realizada pela turma que fez “Papicha” (2019), de temática também vinculada aos direitos femininos em sociedades repressoras. Com a direção da russa Mounia Meddour e o protagonismo da já mencionada Lyna Khoudri, resulta uma alegação contra tais injustiças arcaicas – onde até a polícia fica deliberadamente comprometida. Mas o relato não vai sair desses trilhos nem procurar outros objetivos que tais descrições-denúncias-protestos. Legítimos, mas que, cinematograficamente, não atingem níveis elevados. Dançando no Silêncio é um filme típico daqueles que mostram terríveis e injustificadas agressões verbais, psicológicas e físicas contra as mulheres.

Por: Tomás Allen (Fonte: www.parsageeks.com.br)


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *