Downton Abbey: O Grande Final

Uma produção requintada para retratar uma família também elegante, aristocrática.

FICHA TÉCNICA

Título original: “Downton Abbey: The Grand Finale”
País de origem e ano: Grã Bretanha/Estados Unidos, 2024
Duração: 2 horas 3 minutos
[Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 12 anos] Gênero: Drama
Direção: Simon Curtis

Roteiro: Julian Fellowes
Elenco: Michelle Dockery, Joanne Frogatt, Elizabeh McGovern, Paul Giamatti e extensa lista
Fotografia: Ben Smithard
Edição: Adam Recht
Música: John Lunn Figurino: Anna Mary Scott Robbins

Crédito da ilustração: Divulgação/Universal Pictures

Este título foi antecedido por uma série em episódios (52, desde 2010 a 2015), na televisão inglesa. Depois foram realizados dois filmes, em 2019 e 2022.

Por tanto, a abordagem desta terceira realização, em princípio, apresenta duas possibilidades básicas: ou se conhecem aqueles antecedentes, em modo total ou parcial, ou o espectador se defrontará diretamente com Downton Abbey: O Grande Final como uma obra unitária. Logicamente na primeira situação, além de acompanhar a trama, poderá seguir a meada que vem se desenrolando desde que começou a série televisiva. Inclusive vinculando os novos acontecimentos e as atitudes dos personagens com o perfil já delineado. Na segunda variante, o público, obviamente, se concentrará só neste filme. Pela sua vez o diretor (neste caso, Simon Curtis, que já trabalhou no anterior – de 2022 -), deverá criar uma obra que possa abranger ambas categorías de público. Por isso, a exigência e sua habilidade serão duplas.

A trama apresenta os Crawley, uma família inglesa endinheirada, que tem como principal propriedade Downton Abby, uma mansão enorme, de sólida e elegante construção. Possue, também, uma área para criar animais, entre os quais cavalos de carreira. Nesta etapa, início da década de 1930, os conflitos se sucedem: tanto na herança e cuidado desse castelo e do dinheiro, quanto na vida privada de alguns dos integrantes. Em particular da protagonista, Lady Mary Talbot (Michelle Dockery). Ela se divorciou e esse fato causa rejeição numa sociedade conservadora, especialmente no círculo social elevado, porém marcando futuras mudanças (o que poderia ser difícil de entender pois nas últimas décadas não nos surpreendem divórcios nem liberalidade sexual). Mas por esses motivos, válidos naquela época, e por outros, os vínculos dos Crawley se vêm afetados internamente e com outras pessoas e famílias de nível equivalente e superior – cuidando, em especial, não se altere a relação com a Rainha.

De todos os modos, a mudança será inevitável. Estafados financeiramente, abalados por discrepâncias diversas e por amoríos que também podem ser considerados escandalosos nesse âmbito e época, os Crawley vivirão em modo por momentos cordial (por caso, ao aposentar-se pessoal doméstico que era muito fiel) e por outros conflitivo (incluindo disputas pelo destino dos bens materiais e culturais).

Acompanhar a frondosa trama e a longa lista de personagens (representados por atores e atrizes quase todos ingleses/británicos com vasta experiência) demandará muita atenção por parte do espectador. Contudo, não é um relato entediante, com a condição de apreciar enredos com estas características. E resultará um prazer estético pela ambientação (“mise en scène”), música harmoniosa (John Lunn), danças cadenciadas, figurino (Anna Mary Scott Robbins), arte, maquiagem, efeitos especiais e visuais e, em especial, a requintada fotografia/iluminação (Bem Smithhard), com domínio de planos, deslocamentos etc.

A espectacularidade vista na série continua refinada, em um estilo visual e narrativamente bem inglês, e se traduz não só nas vestimentas mas também ao mostrar jóias, acessórios, talheres, quadros…

Dos atores sobressaem Elizabeth McGovern (como Lady Grantham, decidida defensora das finanças familiares diante de um estafador), Hugh Bonneville (como Lord Grantham) e, em especial, Michelle Dockery (a polifacética protagonista). Os conhecedores das produções anteriores, televisivas e cinematográficas, perceberão a ausência de Maggie Smith, falecida no ano passado, e que interpretava a Violet Crawley. Personagem divertido, perspicaz e carismático que deu boa parte do sucesso a essas produções.

Após duas horas, se chega a um belo e emotivo final. Em especial nessas últimas sequências, o filme resulta uma equivalência do que relata pois tem um “grande final”. E o conjunto pode ser definido como uma produção cuidadosamente elaborada, que público que saiba apreciar elegância saboreará deliciosamente. Respondendo ao parágrafo inicial: Simon Curtis, o diretor, fez um filme que pode ser assistido ainda sem conhecer os anteriores.

Por: Tomás Allen

(Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures Brasil)

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