Lola

Este filme pode ser considerado bom, até muito bom, desde que o espectador consiga superar uma série de características pouco usuais neste momento do cinema comercial. Breve detalhe: é em preto e branco (não nas cores habituais); em formato reduzido (que, por momentos, faz lembrar aqueles antigos de Súper 8 ou 16 mm de medida nos fotogramas); tem um ritmo que, se bem não é devagar, também não é acelerado, como provavelmente estamos acostumados. Com uma edição especial (Colin Campbell), e uma duração de 79 minutos, possui uma trama que, inicialmente instalada em Sussex, Inglaterra, em 1969, vai se deslocar ao longo do filme até 1941.
Duas mulheres, Thomasina (Emma Appleton) e Martha (Stefanie Martini), conseguem uma façanha em matéria de comunicações, uma espécie de milagre tecnológico: por meio de uma estranha máquina que chamam “Lola”, captam sons e imagens, de rádio e televisão do… passado. Esse fenômeno, bastante desnorteante, permite assistir a emissões inicialmente triviais ou vinculadas com a música dessa época. Também maravilhas e horrores derivados das ações humanas. Porém, aos poucos, elas avançam na descoberta e passam a obter transmissões significativas em matéria política e até de segurança e relações internacionais.

Dado que, nesse momento, Inglaterra está em guerra contra a Alemanha nazista e é bombardeada intensamente, poder ver com antecedência determinados assuntos bélicos, passa a ter relevância significativa. Ainda mais: aparece a possibilidade de influenciar em tais acontecimentos. Incapacitadas de ocultar a descoberta, o filme se desloca para conspirações de índole militar, com consequências na vida de grande número de pessoas.

Simultaneamente, vão se alternar e suceder sentimentos, sexualidade, reflexões sobre ciência e afins (“as ondas de sonido nunca morrem”; alimentação saudável), a liberdade e a vida (por exemplo: apesar de alguém ser uma pessoa brilhante, não por isso, deve se engrandecer em demasia por esse brilho que sai de si mesmo). E essa faculdade de antecipar o que pode ter acontecido historicamente começa a produzir mudanças drásticas em ações muito importantes da guerra. Favorece a Inglaterra de modo que resulta decisivo. Porém, em determinado momento, Lola começa a fugir do controle e aquelas mudanças terão um rumo diverso ao esperado, também surpreendente.

Como dito no início deste texto, com esses elementos, o filme Lola resulta estranho e, também, inteligente, porque traz ideias pouco habituais como voltar ao passado e modificar o já sucedido. Embora possa fazer lembrar alterações do tempo como as de “2001: uma Odisseia no Espaço” “Terminator – Exterminador do Futuro” ou “Regresso ao futuro”, Lola conserva um caráter original, diferente. Para chegar até lá, além dos atores e atrizes e a já citada editora, trabalharam muito bem Andrew Legge (diretor debutante em longas metragens e corroteirista com Angeli Macfarlane), Oona Menges (fotografia) e Neil Hannon (música). E, por sua parte, o espectador para recepcionar positivamente a Lola, deverá se adequar a esta obra insólita e valiosa. Máquina do Tempo (Lola) é diferente, que poderá ser apreciado por um público especial que aceite linguagem cinematográfica inusual para os dias de hoje e ideias originais.

Por: Tomás Allen (Fonte: www.parsageeks.com.br)


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