O título do filme é parcialmente enganoso. Porque quando o potencial espectador vê essa expressão, a primeira associação que muito provavelmente fará será com uma guerra social e política, com uma batalha social, um confronto de setores sociais economicamente diferentes, etc. Pode-se supor que se estará diante de um drama denso e até violento. Nada disso acontece neste caso.
Luta de Classes é uma comédia dramática sobre um casal com um filho em idade escolar. Difícil de ser avaliada não por ser extremamente densa ou pesada, mas sim pela diversidade de elementos que apresenta. Inicia seu caminhar com componentes excêntricos e ruptura da lógica racional por meio do absurdo e o exagerado. Por exemplo, o pai da criança protagonista (Edouard Baer) usa um penteado que não combina com sua condição e até idade, utiliza um monte de anéis, toca bateria de modo exaltado, dança de forma desajeitada etc.
O menino (Ramzy Bedia) também tem atitudes pouco convencionais, sendo a mãe a mais equilibrada de todos. Com relação a esta última, resulta ser a melhor atuação – feita por Leïla Bekhti. O filme apresenta, além de desajustes sociais, músicas românticas, momentos de rebeldia política (talvez por isso o título) sem que seja revolucionária, algumas pitadas do tema do homossexualismo, solidariedade com os refugiados na França, música punk, alguns gags, e muitas situações vinculadas à diversidade, os ajustes e desajustes diante daqueles que são de outras culturas, religiões e costumes. Em Luta de Classes as cenas cômicas e dramáticas se alternam, com picos, como se fosse uma espécie de gráfico próprio de um eletrocardiograma, até chegar a um bom final romântico.
Por: Tomás Allen (Fonte: www.parsageeks.com.br)
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