“Make a Girl”

Anime (animação japonesa) com elementos bem próprios de nossos dias, com criações digitais, eletrônicas etc. que se misturam ou confundem com o real.

FICHA TÉCNICA

Título original: “Meiku a Gâru”
País de origem e ano: Japão, 2024
Duração: 1 hora 32 minutos
[Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 12 anos] Gênero: Animação (‘Anime’)
Direção: Gensho Yasuda

Roteiro: Gensho Yasuda
Elenco (vozes): Shun Orie (Akira), Sora Amamiya (Akane), Kana .Hanazawa (Eri) e Toshiki Masuda (Kunihito).
Departamento efeitos visuais: Genso Yasuda
Departamento de animação: Genso Yasuda
Música: Ken’ichirô Suehiro

Crédito da Imagem: Divulgação SATO Company

A trama é situada no Japão da época atual, em um mundo totalmente mecanizado, robotizado. Apresenta Akira Mizutamari (voz de Shun Horie), um jovem criador de robôs artificiais, para uso doméstico ou sem muita aplicação concreta. Segundo ele mesmo, todos são fracassos, pois não tem criado nada útil.

Ele tem um amigo, Kunihito Kobayashi (voz de Toshiki Masuda) que em um determinado momento, arranja uma namorada. Isso vai dando a Akira uma profunda sensação de solidão e ausência emocional e física.

Tudo isso o leva a produzir #0 (voz de Azumi Tanezaki), um robô feminino. Este deve ser treinado para as mais diversas tarefas. Mas, aos poucos, começam a aparecer novas características.

O drama se aprofunda porque tanto 0 quanto Akira se aproximam cada vez mais emocionalmente. Nasce uma paixão mútua? Até aí poderia-se-ia associar a vínculos de homens com criações artificiais.

Essas relações aparecem no cinema faz muito tempo. Por exemplo, o primeiro casamento (fictício) de um homem com uma boneca está em “A Boneca” (‘Die Puppe’, Alemanha, 1919). Depois virão outras realizações, como “O Homem Bicentenário” (Estados Unidos, 1999), onde um robô doméstico se vai humanizando e se apaixona por uma das suas propietárias. E até aparecem vínculos próximos com bonecas infláveis, como em “No es bueno que el hombre esté solo” (España, 1973) e “Air Doll” (Japão, 2009). Mais recentemente, “Ela” (Estados Unidos, 2013), onde o protagonista sente paixão pela voz de um sistema operativo de um computador inteligente. A lista continúa, com variações, incluindo robótica e Inteligência artificial, com a série de “M3EGAN” (Estados Unidos, 2022, 2024 [‘Subservience’] e 2025).

Também está “Frankenstein”, aquele criador de um ser montado artificialmente, originário da literatura no século XVIII e que depois aparece nas primeiras décadas do cinema, chegando até ter um título nestes dias. Trazendo dilemas morais e filosóficos que não estão totalmente ausentes em Make a Girl.

Neste caso, há uma diferença básica com os títulos citados: esta é uma animação. Nela, há muitos monólogos e diálogos, o que tem um lado negativo em linguagem cinematográfica. Por outro lado, isso permite que a obra reflexione sobre as emoções (principalmente o amor e as paixões), domínio (“Não se pode controlar às pessoas”) e a condição humana (“Ser a gente mesmo e aproveitar-se disso”; “As pessoas não conseguem mudar suas convicções”; “As relações humanas são muito complicadas”), que no contexto deste filme aparecem com uma perspectiva diferente do habitual.

Em especial as emoções em #0: autopercepção, amor, frustração. E a grande interrogante: será que foi criada assim, para ter esses sentimentos? Ou será que é uma aparição nova, sendo um ser autônomo? Ela mesma diz: “As coisas que amo e as que detesto, são desse jeito porque eu fui construida assim?”

Os sentimentos amorosos que também vão aparecendo no protagonista dão lugar à pergunta: Pode um homem enamorar-se de uma forma não-humana? E o mesmo com a outra parte: Pode uma robô fazer o próprio? O amigo Kunihito lhe diz a Akira: “Você criou uma terceira forma de humanidade”. Toda essa dramaticidade é sublinhada pela música e caminha a um final sugestivo. Os títulos finais são acompanhados por uma bela composição musical, como é típico nos animes.

Formalmente, tem uma elaboração muito cuidadosa, com as linhas e as cores (que mudam constantemente e evidenciam sentimentos, situações etc.) e com o enquadre e a cenografia. Tudo muito lógico já que a fotografia dos filmes japoneses é suntuosa. Nos animes, se acompanha esse estilo. Aqui está presente a mesma conceição. Porém, o anterior, curiosamente, não elimina a aparição de imagens psicodélicas e excêntricas.

Tudo o anterior pode ser dito com relação a Make a Girl. E, como o cinema é polissemántico, ou seja pode admitir muitas leituras, seguramente os espectadores perceberão mais elementos.

Por: Tomás Allen

(Título assistido em Cabine de Imprensa virtual promovida pela SATO Company)

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