O Esquema Fenício

Grotesco. Não é uma definição despectiva deste filme senão um gênero, subgênero ou estilo cinematográfico que explora o bizarro, a ambiguidade moral e o choque no espectador. Estranheza e condição inclassificável, são alguns outros adjetivos que podem ser aplicados a estas obras. Muitos desses elementos aparecem em O Esquema Fenício (‘The Phoenician Scheme’). Por isso, grotesco, ainda que também, misturados, tenha outros enquadramentos: drama, crime, comédia, ação. 

FICHA TÉCNICA

Título original: “The Phoenician Scheme”
País de origem e ano: Estados Unidos, 2025

Duração: 1 hora 59 minutos
[Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 14 anos] Gênero: Comédia-dramática, Policial
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Wes Anderson e Roman Coppola
Elenco: Benicio Del Toro, Mia Threapleton, Michael Cera
Fotografia: Bruno Delbonnel
Edição: Barney Pilling
Música: Alexandre Desplat

Todo filme tem uma proposta, um código, pelo geral implícito, para que o espectador que consegue pegá-lo possa acompanhar melhor a trama. Nesta ocasião há tudo aquilo antes mencionado. Por momentos há um tipo de humor cáustico; por outros, excentricidade, estranheza; em algumas situações, sátira; heroísmo/anti heroísmo (no protagonista); ridicularização; símbolos (corvo, caveiras) e situações macabras (porém, não em grau extremo); exagerações; identidades falsas (muitas, talvez todas) etc. 

O protagonista de O Esquema Fenício é Zsa-zsa Korda (Benicio Del Toro), homem muito rico, embora com origens mais do que duvidosas dessa riqueza (outro personagem o define como “inescrupuloso como seu pai”). As imagens iniciais mostram um de seus aviões em uma queda produto de um dos tantos atentados com que seus inimigos procuram assassiná-lo. Porém, a sorte o acompanha e se salva, mais uma vez. 

Pouco depois ele chamará Liesl (Mia Threapleton), filha que faz uns 30 anos não vê e que agora se apresenta como uma freira, fria e distante. O intuito é dar-lhe um testamento de suas posses. Para chegar a esse objetivo, Korda lhe explica que se devem solucionar os oito problemas que contêm caixas que, em seu conjunto, representam um “esquema fenício”. (Lembre-se que os fenícios foram no passado, séculos antes de Cristo, exímios comerciantes com navios na região do Oriente Médio). E para lá partem ambos, em uma trama bastante complexa e com todas as características próprias deste gênero. 

Sucedem-se sons peculiares, instrumentos e objetos curiosos, diálogos ingeniosos, situações insólitas, com falas e imagens deliberadamente ridículas e insólitas. O público poderá tentar adivinhar o que vai acontecer em cada uma das cenas e sequências, e o que, efetivamente, cada personagem é e o que vai dizer ou fazer. Em especial, o referido  Korda, logo Liesl e assim também Bjorn (Michael Cera), indivíduo indecifrável; e vários mais: Knave (Willem Dafoe), O Profeta (F. Murray Abraham) e outros atores conhecidos, em papéis menores (Tom Hanks – Leland -, Charlotte Gainsbourg – 1ra. esposa -, Scarlett Johansson – prima Hilda -, Bill Murray – Deus -. Como se pode ver, não faltam famosos. 

Sobressai Benicio Del Toro, em seu 45º longa-metragem, depois de uma carreira que evidencia versatilidade, por ter aceito a representação de personagens diversos e arriscados (“Che” Guevara, Pablo Escobar), e atuar em sagas ou filmes afamados – 007, Os Suspeitos, Snatch, 21 Gramas, Sin City, Star Wars, Avengers e outros -. 

Resultam fundamentais a fotografia (Bruno Delbonnel), edição (Barney Peeling) e, em especial, a música (do reconhecido e experiente Alexandre Desplat). Wes Anderson é o diretor e corroteirista, já conhecido, com muito bons antecedentes, como “Grande Hotel Budapeste” (2014). Agora repete sua competência cinematográfica. 

Da mão destes profissionais, a trama progride até chegar a um bom final, incluindo uma dedicatória e uma apresentação muito original dos créditos finais. Como dito, se o espectador se adapta a um título basicamente grotesco, poderá passar 101 minutos de muito bom grau.

Por: Tomás Allen

Crédito da Ilustração: Universal Pictures

(Título assistido em Cabine de Imprensa promovido pela Universal Pictures Brasil.)

Copyright (©) – 2025 manualdecinema.com.br – Todos os direitos reservados.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *