Muito interessante realização do conhecido diretor polonês Roman Polanski. É a história (também famosa) de Richard Dreyfus, um soldado judeu do exército francês, que em 1895 foi injustamente acusado e falsamente declarado culpado de espionagem contra seu país. O longa-metragem começa em modo dramático e não oculta parte do percurso que virá, até porque está “baseado em fatos reais” (como se adverte no início) e que foram amplamente conhecidos a nível nacional e internacional. O Oficial e o Espião está muito bem elaborado por profissionais experientes: a música do célebre Alexandre Desplat é excelente, a fotografia de Pawel Edelman, com diversas nuances, é delicada, ao igual que o figurino de Pascaline Chavanne, a direção de arte de Dominique Moisan, o decorado de Philippe Cord’homme e a edição de Hervé de Luze, que não apresenta defeitos e dá um ritmo adequado, que praticamente não decai.
Louis Garrel como Alfred Dreyfus, digno em sua defensa e corajoso em suas convicções, e Jean Dujardin como o Coronel Picquart, valente investigador defensor da verdade, compõem bem personagens com aspectos admiráveis. Mas não devemos acreditar que é um filme feito apenas por artesãos. Além desses méritos, há uma série de assuntos de conteúdo, densos: sobretudo está presente a injustiça humana, baseada no preconceito e na subsequente teimosia do poder nacional para manter essas arbitrárias decisões iniciais e não prejudicar as altas autoridades envolvidas no caso.
Honra, honor, confiança e desconfiança nos superiores, são outros fatores evidenciados. Inclusive em uma cena de duelo muito dramática. Polanski vai montando em forma precisa a sucessão de situações. É sóbrio e meticuloso, com uma ambientação perfeita. E os elementos que fazem parte do fundo do relato vão-se consolidando: a injusta condena de Dreyfus tem como bases principais o ódio, o jogo de interesses e a ignorância (o povo também julga, sem elementos suficientes). Porém, além de Picquart, há um outro personagem que escreve uma página histórica e que o filme também não esquece: J’Accuse, texto do célebre escritor Émile Zola, que denuncia todas as manobras dos diversos níveis do poder público para condenar uma e outra vez a Dreyfus. As reações confrontadas que produz o texto de Zola também põem em evidência e mais uma vez a luta pela verdade, ocultada deliberadamente, e que é central em O Oficial e o Espião. Por tudo o antes enumerado, muito bom filme.
Por: Tomás Allen (Fonte: www.parsageeks.com.br)
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