De todos modos, uma nova porta, em lugar bastante marginal, parece estar diante de Paul para, talvez, uma outra opção. A banca-diretoria da nova empresa contratante está constituída por indivíduos bastante exóticos (como pensam, agem e reagem, se vestem e penteiam). Tudo é muito inusual: a entrevista, as perguntas e até o teste do qual deve participar. Mais ainda: a empresa tem histórico e objetivos bastante desnorteantes, que aos poucos vão-se apresentando – já que não desvendando totalmente. Esses objetivos, sáo, segundo dizem eles mesmos: “Vencer a vontade das pessoas”, “Sequestrar seus instintos”, “Controlar os próprios sentimentos”, “Influenciar”, o que não é ‘coincidenciar’ e para isso tem até um cargo de “coincidenciador” (SIC). Desejos, instintos, necessidades são o alvo dessa misteriosa organização que, quase obviamente, é muito antiga. O protagonista começa a se encontrar com outra candidata, Sophie Pettingel (Sophie Wilde), e ambos caminham pelo sinuoso trilho que os vincula a J W Wells Company, de Humphrey Wells (Christopher Waltz), que – insolitamente – “está em guerra com ela mesma”. Porém, as circunstâncias criam um fato que parece ir além do anterior e do imaginado: a descoberta de um portal que permite deslocar-se a qualquer parte física que se deseje – obviamente o portal que dá origem ao título do filme, ainda que com uma diferença de tradução do inglês “The Portable Door”.
Na trama as situações vão se sucedendo do absurdo inicial a renovadas excentricidades, incluindo gradualmente elementos de certo grau desagradável e terrífico até certa ironia e comicidade. Muitos aspectos e personagens se sucedem, incluindo mágicos, hipnotizadores e bruxos ou duendes…Esoterismo, bruxaria, etc. Tudo isso conduzido de boa maneira por Jeffrey Walker, diretor australiano em seu terceiro longa-metragem, que soube aproveitar os experimentados profissionais Donald McAlpine (fotografia – já trabalhou com o famoso diretor Baz Luhrmann -) e Geoff Lamb, responsável da edição (também com dezenas de antecedentes em longas-metragens). O elenco oferece boas atuações em geral, com personagens sempre insólitos e difíceis de serem interpretados. Seja dito, por último, exatamente sobre as cenas finais: se sucedem romance, humor e até uma surpresa que dá uma nova perspectiva a todo o filme. Como já dito, essa última característica aparece após os créditos finais. Como em tantos outros casos, é importante assistir o filme até o fim. O Portal Secreto é interessante realização que traz muitos elementos, em relato que vai levando o espectador por diversas situações, criando impressões, sensações e pensamentos, e chega a um final com renovadas surpresas.
Por: Tomás Allen (Fonte: www.parsageeks.com.br)
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