Filme de animação, com personagens e situações que se definem por diversas características. Podem ser identificadas várias, tanto na trama quanto nos desenhos. Em ambos os casos, prevalece a caricatura, ou seja, o exagero proposital de determinados traços, sejam eles físicos ou dos perfis psicológicos. O mesmo acontece com os fatos que vão se sucedendo, pois tudo é deliberadamente distorcido. Palavras, gestos, vozes, música, barulho etc. confluem para dar essa sensação de aventura com constantes toques de artificialidade. Assim, oscila entre o grotesco e o cômico.

FICHA TÉCNICA
Título original: “The Bad Guys 2”
País de origem e ano: Estados Unidos, 2025
Duração: 1 hora 44 minutos
[Classificação indicativa: Livre para Todos os Públicos] Gênero: Animação
Direção: Pierre Perifel Co-direção: JP Sans Roteiro: Yoni Brenner, Etan Cohen e Aaron Blabey
Elenco: Na versão original tem vozes de atrizes e atores internacionalmente famosos. Na dublada, vozes em português
Edição: Jesse Averna
Música: Daniel Pemberton Equipes/departamentos de: Efeitos visuais, animação, editorial, arte, som e outros.
Ilustração: Divulgação/Universal Pictures
A trama, que responde à anterior descrição, centra-se em um grupo de animais. Deve-se lembrar, ainda que brevemente, o percurso histórico justamente de animais nos desenhos fílmicos. Os Estúdios Disney (inaugurados em 1923) incorporaram animações com estes personagens (Pato – Donald -, Rato – Mickey Mouse -, Leão – Simba e Mufasa-, Elefante – Dumbo -, Cães – Dálmatas -, Cervo – Bambi -, Peixes, Urso, Cavalos, e outros). Eles têm personalidades, comportamentos, emoções, semelhantes aos humanos. Porém, fatos e fantasia se misturam. Em 1947, aparece outro pato: o Tio Patinhas, criado por Carl Barks, desenhista da Disney. Teve enorme sucesso e na sua condição antropomórfica (ou seja, similar aos humanos), ressalta a avareza extrema.
Mais tarde, William Hanna e Joseph Barbera (1957) fazem o mesmo com um gato perseguindo um rato (Tom e Jerry) e aparecem posteriormente muitos outros animais. Com o sucesso, a dupla se transformou em empresa (Hanna-Barbera Cartoons, Inc.), criando então filmes, abrangendo os “Live-Action” (que incluem personagens reais), e criações para televisão.
Também devem ser mencionados os curta-metragens de animação estadunidenses produzidos em série entre 1930 e 1969, chamados “Looney Tunes”, para cinema e televisão. Tem uma série de animais como protagonistas: Pernalonga, Patolino, Gaguinho, Frajola, Piu-Piu, Papa-Léguas, Coiote, e outros.
Por um lado, e sobretudo ao começar, os animais eram caracterizados como tais. Ou seja, um gato era um gato etc. A partir dos anos de 1990, no entanto, essas formas vão se modificando, nas tramas e no formato dos desenhos. Assim, surgem as animações asiáticas, em especial do Japão. E o ocidente se vê na necessidade de criar novos heróis, “distorcidos”. Por exemplo, “As Meninas Superpoderosas”, a partir do fim da década de 90. Elas têm superpoderes, para além de serem pequenas, ter cabeças imensas, desproporcionais aos corpos diminutos. Foram muito bem-sucedidas, provavelmente porque o público se identificou com elas, pois a sociedade também era assim: disforme, diferente, desigual. Talvez, pesasse mais o que cada um dos personagens representava que o que era em si.
No caso que nos ocupa agora, Os Caras Malvados 2, aparecem representações de animais com formas que lembram e levam os nomes da sua espécie e estão vestidos como pessoas. Como sabemos, não é casual a eleição, porque são bichos que, efetivamente, são perigosos. E poderíamos associá-los a características humanas: Lobo = astúcia; Cobra = sedução; Piranha = voracidade; Aranha = ardilosidade; Urso = Força e Amizade (pelo abraço que se lhe atribui). O espectador, e leitor deste texto, pode refletir sobre estas associações e definir se concorda ou não.
Continuando com a trama do filme: essa turma já foi delituosa, como lembra o espectador que assistiu à primeira entrega desta série, feita em 2022. Agora pretendem deixar para trás essa etapa e ser honestos. Porém, uma gangue de mulheres criminosas interferirá procurando dar um golpe audacioso, forçando-os a delinquir de novo.
Há cenas e sequências amenas, outras com certo romantismo e, também, algumas com ameaças e violência. Mas tudo levado com certa leveza, o que pode ser entendido como um mérito, especialmente por aqueles espectadores que gostem de animação com estilo próprio das últimas décadas. Porém, não será do gosto do público que procure maior seriedade. De todos os modos, não é provável que este último grupo assista ao filme – o que não é nada estranho, pois a tendência geral é assistirmos àquilo que se supõe vai nos agradar.
Há uso dos mais diversos recursos tecnológicos-computacionais (por exemplo deslocamento aparente das câmeras, distorções dos cenários para produzir efeitos etc.), muita música dinâmica, ruídos, cores fortes, carros que contrastam grandemente em suas estruturas – luxuosos X caindo aos pedaços -, tudo adequado ao tom geral. Os diálogos e intervenções são propositalmente artificiais e também procuram ser engenhosos, agudos – o que, às vezes, conseguem. Há várias passagens que divertem, sem dúvida, e a trama, obviamente, é simples. Além do anterior, é enorme a quantidade de profissionais nos departamentos de efeitos visuais, especiais e demais aspectos técnicos envolvidos, de modo tal que se aproxima – neste sentido – aos títulos das produções denominadas “tanques”, pela sua força e dinâmica. Os Caras Malvados 2 pode ser assistido por crianças, conforme a classificação indicativa e a decisão dos pais, e por todos aqueles que não tenham grandes pretensões de conteúdo. Ou seja: para se entreter.
Por: Tomás Allen
(Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures Brasil)
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