Pacto de Redenção (Knox Goes Away), é um filme policial, com características próprias desse gênero: personagens que são delinquentes, fatos ilegais muitas vezes desagradáveis e/ou revoltantes, policiais que devem investigar, descobrir e atuar sobre esses fora da lei etc. O problema dedutivo, que, em geral, neste tipo de realizações o espectador deve tentar acompanhar e desvendar junto com os detetives da ficção, aqui resulta multiplicado, pois são vários os nós que irão aparecendo.Crime, mistério e perseguição (com pistas verdadeiras e falsas) não faltam. Para isso, estão a cuidadosa agente de polícia (excelente Suzy Nakamura) e diferentes vítimas e/ou vitimadores, de diversa extração: um colega delinquente (Ray McKinnon), a ex -esposa (Marcia Gay Harden), o filho (James Marsden) e a neta (Morgan Bastin). Também tem papel importante o doutor, preciso em suas informações (Paul Perri), e uma elegante, calculista e interesseira prostituta (Joanna Kulig, em impecável aparição). Não se pode esquecer o chefe mafioso que, eventualmente, até pode fazer um favor pessoal (um sóbrio Al Pacino).
Os tempos que aparecem são os três (edição de Jessica Hernández): presente, passado e futuro de John Knox, o protagonista. Um roteiro muito elaborado (Gregory Poirier) resulta atraente e, ao mesmo tempo, demanda concentração cuidadosa do espectador.
A trama apresenta Knox como um veterano assassino profissional, especialista em não deixar rastros de seus “serviços”, agora espreitado pelo mal de Creutzfeldt-Jakob, uma rara doença encefálica, em alguns casos devastadora a curto prazo (diga-se de passagem: esta enfermidade existe, como muitas outras cerebrais não tão famosas ou estendidas como o Alzheimer, porém com avanço não tão rápido como detalhado no filme – se for assim, trata-se de uma licença que os cineastas, ao igual que os literatos, podem permitir-se).
Aparecem, também, aspectos emocionais, dados principalmente pelos vínculos – que antes citamos brevemente -, entre Knox e outras pessoas como a ex-esposa, a prostituta, o colega de serviço criminal e o chefão. E, sobretudo, com o filho, com quem teve, e ainda tem, uma relação contraditória, central, na vida de ambos.
Refletindo implicitamente sobre sua vida e construindo um intrincado plano para o que virá, sempre fugindo da pesquisa policial e montando um cuidadoso quebra-cabeças que só aos poucos vai ficando mais evidente para o espectador, o filme não só respeita as citadas regras do género mas, também, as recria.
Por tudo o que foi dito, Pacto de Redenção pode ser muito bem-vindo pelos amantes deste tipo de obras: complexas, violentas, que contêm simultaneamente elementos anímicos e emocionais. Boa tarefa de Michael Keaton como ator e diretor, conduzindo pessoal técnico e atores-atrizes corretos.
Por: Tomás Allen (Fonte: www.parsageeks.com.br)
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