Só Por Uma Noite

Filme divertido, embora trate de assuntos sexuais e dos vínculos entre homens e mulheres que procuram relações desta índole em uma única noite. Há, porém, também espaço para o romance e … para o drama.

FICHA TÉCNICA

Título original: “One Night Only”
País de origem e ano: Estados Unidos, 2026
Duração: 1 hora e 42 minutos
[Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 16 anos] Gênero: Comédia romântica
Direção: Will Gluck

Roteiro: Travis Braun
Elenco: Monica Barbaro (Allie), Callum Turner (Owen), Charlie Gillespie (Ezra Strong), Maya Hawke (Malika) e outros.
Fotografia: Yaron Orbach
Edição: Robert Nassau e Tia Nolan Música: Este Haim e Christopher Stracey

Crédito da Imagem: Universal Pictures Brasil

A ideia central deste filme é insólita: em um futuro próximo, as autoridades dos Estados Unidos declaram proibidas as relações íntimas entre casais que ainda não estiverem casados. O argumento é que um comitê oficial entendeu que isso beneficiaria a sociedade, em especial as crianças e as pessoas sensíveis. Estabelece-se, porém, uma única exceção: durante uma noite, ao longo de 12 horas, aqueles que quiserem manter relações poderão fazê-lo ainda que não estejam formalmente casados.

Como nos anos anteriores, na cidade de Nova York essa noite desencadeia uma procura alucinada por parceiros para fazer sexo legalmente. A roupa das mulheres é a mais elegante e audaz possível. E os homens também procuram apresentar-se de maneira atraente. Isso dá lugar a situações diversas, em qualquer lugar e a qualquer momento. A trama explora esse desenfreio de maneira especialmente risível, favorecendo o riso dos espectadores, seguramente já predispostos a isso.

Nessa noite se encontram Allie (Monica Barbaro) e Owen (Callum Turner), ambos procurando não apenas sexo, mas, sobretudo, um vínculo sério, com tendência a uma relação duradoura. Ou seja, algo bem diferente daquilo que a data está propondo.

Allie é uma cantora de “jingles” publicitários, em um ambiente no qual a sexualidade foi incorporada em todos os sentidos. Não tem parceiro. Owen é um “pizzaiolo” que administra um estabelecimento de venda de pizzas em Manhattan e recebe pessoas variadas. O importante, nessa noite, é que sua relação com a namorada, Malika (Maya Hawke) desmorona porque ela quer ter sexo livremente, com qualquer homem, embora o casamento com Owen parecesse iminente.

Os protagonistas têm outras pessoas próximas que lhes aconselham como se comportar e assumir, respectivamente, uma atitude positiva diante dos desafios emocionais que estão atravessando.

O filme se apoia na relação oscilante, cheia de idas e vindas, imprevistos e uma série de peripécias secundárias que afastam Allie e Owen. A protagonista, interpretada por Monica Barbaro (10º longa-metragem), e ele, representado por Callum Turner (20º longa) resultam simpáticos e isso fortalece a trama de Só por uma Noite.

Pode-se fazer uma avaliação contraditória da obra, em especial se se procura um roteiro mais aprofundado. Mas o trabalho de Travis Braun (2º longa) ao conceber o roteiro – posteriormente reelaborado por Will Gluck (8º longa) – chega às telas com antecedentes nada desdenháveis: o texto ocupou o primeiro lugar da chamada Black List de 2024, a famosa lista anual dos melhores roteiros de Hollywood ainda não produzidos. Nesse caso, destacaram-se dois trabalhos de Braun: “Bad Boy”, que liderou a Black List de 2023, e One Night Only que liderou a de 2024. Braun, portanto, ficou no topo em dois anos consecutivos, fato pouco comum.

Dada a diferença que se produziu, por causa da reescritura, entre o texto original e aquilo que chegou às telas, pode-se fazer a pergunta: o que “funcionou” no primeiro roteiro e o resultado final devem ser atribuídos a Braun ou a Gluck?

Porém, há outro antecedente – ou coincidência – que deve ser levado em conta: “The Purge”, filme de 2013, apresenta também um período excepcional de 12 horas durante o qual todos os crimes, inclusive o assassinato, são legalmente permitidos. La historia se passa em um futuro próximo, nos Estados Unidos, em uma sociedade governada por um partido totalitário e que acredita ter encontrado nessa prática uma maneira de manter os índices de criminalidade extremamente baixos. É difícil aceitar que as duas tramas sejam muito similares por mera coincidência.

A diferença não é apenas circunstancial. Em “The Purge”, a excepcionalidade das 12 horas constitui o próprio núcleo de uma distopia violenta. Em Só por uma Noite, a mesma estrutura é utilizada como ponto de partida para uma comédia romântica. O próprio Travis Braun explicou que sua intenção não era desenvolver um filme distópico, mas colocar no centro da história duas pessoas tentando encontrar o amor em meio à loucura de uma única noite.

E talvez esteja aí, precisamente, uma das limitações do filme. A premissa é suficientemente rica para sugerir questões sociais, políticas e morais muito mais profundas do que aquelas que finalmente aparecem na tela. O filme prefere não explorá-las e concentra-se nas peripécias de Allie e Owen.

Resumindo: Só por uma Noite tem um roteiro com premissa original; os personagens principais são simpáticos; a trama produz situações engraçadas, provocando o riso – especialmente se o espectador aceita certas doses de absurdo e não pretende encontrar grande densidade -; e consegue, simplesmente, se divertir.

Por: Tomás Allen

Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures Brasil

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