Animação japonesa (“Anime”) para público de todas as idades, mas muito apropriado para crianças a partir dos 10 anos. Exalta a solidariedade em modo muito humano (no sentido positivo).

FICHA TÉCNICA

Título original: “Madogiwa no Totto-chan”
País de origem e ano: Japão, 2023
Duração: 1 hora 54 minutos
[Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 10 anos] Gênero: Animação (Drama)
Direção: Shinnosuke Yakuwa

Roteiro: Tetsuko Kuroyanagy (romance), Shinnosuke Yakuwa e Yôsuke Suzuki
Elenco: Liliana Ôno, Kôji Yakusho, Shun Oguri, Anne Watanabe e Karen Takizawa (vozes).
Fotografia: Kentarô Minegishi
Edição: Toshihiko Kojima
Música: Yûji Nomi

Crédito da imagem: Sato Company

No início se explica que esta história está vinculada a uma escola em Tókio, Japão, no final da Segunda Guerra Mundial e, em especial, a uma menina, e que os fatos verdadeiramente aconteceram.

A menina se chama Totto-chan (voz de Liliana Ôno). A diretora da escola, onde Totto-chan estudava, estava cansada de suas travessuras e solicitou à mãe, Cho Kuroyanagi (Anne Watanabe), que a transferisse a outro estabelecimento. Assim, mãe e filha conseguem convencer o Colégio Tomoe a aceitá-la, o que traz alívio e alegria. E mais ainda: o diretor é uma pessoa muito próxima e a nova aluna começa gostando da nova situação e se incorpora às aulas sem inconvenientes.

O perfil psicológico de Totto-chan está muito bem definido. Percebe-se ver que é excessivamente inquieta, gerando, indisciplina, inadaptação etc. O que se resume como uma criança hiperativa. Contudo, o contexto geral é próprio de cualquer criança menor: desejos sobre o que ser no futuro (espiã, depois vendedora de tíquetes do Ferrocarril), imagens oníricas (uma delas, mais adiante, terá uma forte confirmação, sendo um “sonho antecipatório”), gostos musicais, alegrias e tristezas diversas etc.

A trama vai percorrendo situações variadas, onde o olhar de Totto-chan pela janela é um modo de atuar, e até de viver, que a caracteriza. Aparecem outros personagens importantes: o diretor, Sôsaku Kobayashi (Kôji Yakusho); e o coleguinha, Yasuaki. O primeiro é uma pessoa dinâmica e, simultaneamente, observadora e paciente, além de criativo para divertir, tudo por trás de uma apariência bastante séria. Próximo dos pequenos alunos, faz de tudo para facilitar o aprendizado escolar e promover o progresso dos mesmos.

Pela sua vez, o coleguinha teve uma parálise que lhe complicou muito uma mão e uma perna. Isto lhe produz afastamento de muitas atividades escolares e causam isolamento. Porém, será a oportunidade que a protagonista aproveitará, com total naturalidade, para evidenciar seu lado solidário, de ajuda imediata e na evolução geral de Yasuaki. Há uma profunda empatia dela com ele.

O filme traz algumas reflexões que merecem ser citadas textualmente: – “O que mais deve ser temido no mundo é ter olhos e não ver a beleza. Ter ouvidos e não ouvir a música. Nunca se emocionarão nem agirão com paixão”. – “Ninguém pode comprar minha alma. Não se pode comprar uma alma”.

Assim como há situações alegres, também estão as tristes. Em especial na última parte, e as sequências finais são impactantes. Tudo, como ao longo das quase duas horas de duração, muito bem ilustrado com belíssima música (Yûji Nomi). Diferente a outros animes, não hã crueldade ou cenas nem personagens macabros ou violentos.

No desenho há criatividade no sentido de combinar as imagens com a música e há sequências onde as cores se alternam de modo armônico.

Totto-chan na Janela, superando algumas oscilações entre o simpático, o bobo e até o desagradável, é uma animação bela, humana e sensível.

Por: Tomás Allen

(Título assistido em Cabine de Imprensa virtual promovida pela Sato Company)

Nota do editor: Para mais informações sobre animações cinematográficas, consultar as críticas de “Ne Zha 2: O Renascer da Alma”, “Os Caras Malvados 2”, “A Mais Preciosa das Cargas”, em https://www.manualdecinema.com.br/blog

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