Fred Rogers (Tom Hanks) é apresentador de um programa de TV. infantil. Lloyd Vogel (Matthew Rhys, correto) é um jornalista que, por decisão de sua chefa Joanne Rogers (boa atuação de Maryann Plunkett) deve entrevistá-lo. Paralelamente, Vogel tem sérios problemas com seu pai Jerry (Chris Cooper, também de boa participação). Esses encontros e desencontros dão lugar a este filme. Desde o ponto de vista dos géneros, é uma mistura de musical com drama. Porém, prevalece um esquema teatral, com um texto falado por Tom Hanks (com ampla trajetória e dois Oscar prévios, por Forrest Gump e “Philadelphia”), com insertos de duas histórias de vizinhos. Procura um tom amável, cordial, até procurando emocionar, porém esbarrando para traços bastante infantis. Nada que surpreenda com relação às características que este ator pode oferecer, com seus lados bons e dos outros. O mesmo, com relação a Marielle Heller, a diretora – de quem já assistimos faz um ano à também teatralizada “Poderia Me Perdoar?”
Hanks sabe parar-se sozinho encarando uma câmera com muitos planos médios ou gerais, mas, também, dá uma sensação de presença bastante excludente, até egocêntrica. Claro que o relato não se esgota totalmente nele e até aparecem algumas reflexões interessantes (“pense nas pessoas que o modelaram para ser quem você é”; “distinga o correto do que não é”; “morrer é ser humano”; “não há vida normal sem sofrimento”). Também há histórias paralelas ou como insertos, que resultam dramáticas e bastante interessantes. Um paradoxo é que nesses relatos bem elaborados, não aparece Hanks.
Ele representa Fred Rogers, um indivíduo muito humano, que se preocupa com os demais, mas que, simultaneamente, é excessivamente simples. Ou complexo, dentro de certa simplicidade (SIC). Dizíamos que nesta ocasião há elementos infantis. Isso se dá não só nos desenhos naïfs que fazem nexos entre as diversas partes do relato, como também na própria apresentação que faz Hanks das histórias. Porque tem um tom que oscila entre o sério (como já citado, mais algumas situações dramáticas) e o superficial -pretensamente consistente, com uma espécie de filosofia cotidiana. Isso fica mais evidente ainda nos instantes finais da projeção, quando aparece uma música – de autoria de Fred Rogers – onde se insiste em que as pessoas devem dedicar-se a fazer… algo. O tom dessa música, misturada com os créditos que fecham Um Lindo Dia na Vizinhança, é de um conselho; aliás de uma espécie de ordem drástica vestindo uma roupagem entre sábia e positiva. Em geral, não há muito para destacar tecnicamente, embora a fotografia seja de Jody Lee Lipes (a quem conhecemos na bela e difícil “Manchester à Beira-Mar”) e a edição da experimentada Anne McCabe. A música é de outra Heller, Nate, a mesma compositora dos dois filmes anteriores de Marielle, e acompanha as imagens sem grandes pretensões. O mesmo que nos ajuda a fazer um resumo: filme que pode gostar, dependendo da perspectiva adoptada e dos diversos segmentos que tem.
Por: Tomás Allen (Fonte: www.parsageeks.com.br)
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