Valor Sentimental

Filme denso e bastante sensível. Embora lento e extenso, desse modo ganha em profundidade. Assim podemos definir este título, que chega da Noruega em forma que aproxima o espectador a um cinema elaborado.

FICHA TÉCNICA

Título original: “Affeksjonsverd”
País de origem e ano: Noruega, 2025
Duração: 2 horas 13 minutos
[Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 14 anos] Gênero: Drama
Direção: Joachim Trier

Roteiro: Eskil Vogt e Joaquim Trier
Elenco: Renate Reinsve, Stellan Skarsgärd, Inga Ibsdotter Lilleaas, Elle Fanning e outros.
Fotografia: Kasper Tuksen
Edição: Olivier Bugge Coutté
Música: Hania Rani

Crédito da imagem: Retrato Filmes / MUBI

A trama apresenta os personagens principais, incluindo a protagonista, como uma família vinculada estreitamente à casa onde moram. Brigas, barulhos estranhos, silêncio, se alternam, misturados na vida real e na imaginação. Mas a perspectiva infantil e adolescente vai mudando para relações próprias de adultos.

Provavelmente apoiada na fértil imaginação inicial, aos poucos se instala toda uma problemática relacionada com a atuação, tanto no teatro quanto no cinema. A identificação da pessoa da, neste caso, atriz com o personagem que representa. Também estão as vidas de cada um e com os demais.

A trama se centra em Nora Borg (Renate Reinsve), filha de Gustav Borg (Stellan Skargärd). Ela deve superar a angústia que lhe produz representar e, também, aprofunda a distancia com seu pãe. A outra filha, Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas), com escasos problemas com o pãe, procura mediar ou, ao menos, entender ambos.

A nova proposta do pãe, veterano roteirista de cinema, é que sua filha Nora aceite um papel para um filme que ele escreveu e vai dirigir Longe de amenizar, isso acrescentará a distância entre os dois.

Na procura de avançar, Gustav Borg consulta um colega ainda mais experiente e, nessa mesma linha, convoca Rachel Kemp (Elle Fanning), uma afamada atriz. Ciúmes e sentimento de decepção de parte de Nora se farão presentes.

Com todos esses elementos o filme se constitue em uma série de reflexões sobre a arte, ser artista, em particular ser ator/atriz, o papel do público e o tecido construido por laços entre os profissionais que intervem – ou, ainda, declinam fazé-lo.

Como acontece habitualmente, há afirmações ou diálogos citáveis. Alguns deles: – Nada é mais belo que as sombras. – A vergonha reflete sentir-se débil. – Rezar não é falar com Deus. É reconhecer a desesperação. – Quem é voce? Você sabe quem sou eu. – Gustav Borg, ao pensar seu próximo título, diz: “Que seja uma obra que fale por si mesma”.

O uso da linguagem cinematográfica é especial, por exemplo, nos cortes da edição, para passar de uma sequência a outra, ao deixar a tela totalmente preta. Às vezes por tempo que parece prolongado. Joaquim Trier, diretor e co-roteirista, não tem pressa… Toma seu tempo para relatar e deixar pensar. Tudo isso, com um estilo bem escandinavo.

Num determinado momento, há um recurso muito especial na fotografia (Kasper Tuksen) e na edição (Olivier Bugge Coutté), ao sobrepor os rostos em primeiro plano do pãe e a filha.

Boas atuações, em modo especial da experiente Elle Fanning, quem deixa sua marca, ainda em breves aparições.

Valor Sentimental é intimista, com conflitos familiares e pessoais que admitem até uma análise psicológica (em bom grau seria aceito por psicanalistas, para visar os medos, traumas, complexos instalados no relato).

Representará Noruega na próxima edição dos prêmios Óscar, muito provavelmente chegando a concorrer na instância final. Quando ainda não se conheçem os outros candidatos, pode-se anticipar que, embora não perfeito, o fará em forma competente.

Por: Tomás Allen

(Título assistido em Cabine de Imprensa promovida por Retrato Filmes e MUBI)

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